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Odebrecht deixa de pagar dívida e anuncia reestruturação

Empresa não efetuou o pagamento de 11,5 milhões de dólares a credores, e contratou escritórios para renegociar débitos de 3 bilhões de dólares

A Odebrecht informou que deixou de pagar 11,5 milhões de dólares em juros de dívidas que somam 581 milhões de dólares e que venceram durante o mês de outubro deste ano. De acordo com a companhia, a decisão visa à preservação de liquidez ou seja, garantir o fluxo de caixa de obras que estão em operação. A empresa afirma também que está realizando uma reestruturação de capital para permitir seu crescimento, mas não deu detalhes de como será essa operação.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, 26, a companhia afirmou, após o término do prazo para o pagamento de juros das notas do “bônus 2025”, que venceram em 25 de outubro, que a Odebrecht Finance Limited não realizou tal pagamento para preservar a liquidez da Odebrecht Engenharia & Construção braço operacional da empreiteira.

A Odebrecht é uma das empreiteiras mais enroladas na Lava Jato e tem seu ex-presidente executivo Marcelo Odebrecht em prisão domiciliar. As dívidas do grupo chegam a quase 50 bilhões de reais, no Brasil e no exterior.

Em maio, a empresa fechou um acordo com bancos para rolar 500 milhões de reais de dívidas não pagas. Como parte do acordo, recebeu outros 2,6 bilhões de reais para custear obras que corriam o risco de parar. Caso a empresa continue a deixar de pagar suas dívidas, gatilhos nos contratos podem antecipar os vencimentos de grande parte dos débitos, criando uma bola de neve financeira.

Agora, a empreiteira contratou os escritórios Moelis & Company, Cleary Gottlieb e E.Munhoz Advogados para assessorá-la no processo de reestruturação de capital. “Esta é uma decisão em linha com as normas e práticas do mercado financeiro, ao mesmo tempo que se busca a melhor posição para dar sustentabilidade e expandir os negócios”, diz a nota. Especula-se que o total de dívida que os escritórios tentam renegociar soma 3 bilhões de dólares.

Esses credores, que detêm cerca de 25% dos bônus da Odebrecht, contrataram o escritório americano Rothschild para processá-la, na tentativa de receber o dinheiro. Entre esses credores, estariam os fundos de investimentos BlackRock, Fidelity, Gramercy e AllianceBernstein.

Na nota, a companhia explica que a decisão prioriza a aplicação de recursos em caixa na atividade operacional e “na conquista de novos contratos”. E vai além. Diz que, a partir dessa solução, se “inaugura uma nova etapa de sua retomada empresarial,  após a implementação de  diversas medidas com foco em competitividade, conformidade e governança corporativa”.

Por fim, a Odebrecht diz estar “confiante de que esta ação resultará em uma empresa mais forte e mais bem posicionada para recuperar os níveis históricos de backlog [condições desejadas para um negócio] e geração de caixa, beneficiando dessa forma todos os seus stakeholders [participantes da cadeia de valor]”.

No fim do segundo trimestre, a carteira de projetos da Odebrecht Engenharia & Construção havia sido reduzida a cerca de 9,8 bilhões de dólares, de 12,1 bilhões de dólares em dezembro de 2017. Seu caixa estava em 456 milhões de dólares em junho.

(Com Estadão Conteúdo)