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O verde decolou: a bem-vinda transformação na indústria da aviação

Para reduzir a emissão de poluentes, o setor prepara a substituição de combustíveis fósseis como o querosene por alternativas mais sustentáveis

Por Felipe Mendes
5 ago 2023, 08h00

Em recente relatório, o World Resources Institute (WRI), instituição internacional de estudo do clima, indicou os setores econômicos que lideram as emissões de dióxido de carbono, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global. Depois dos processos industriais, o transporte se destaca entre as atividades mais poluentes. Sozinha, a aviação responde por 3% das emissões de CO2, o suficiente para colocar o setor entre os campeões na propagação de partículas que sufocam o planeta. Segundo ambientalistas, portanto, o combate ao efeito estufa passa necessariamente pela substituição do combustível fóssil — o querosene — utilizado pelos milhares de aviões que cruzam os céus todo dia. Não será tarefa fácil, mas, pela primeira vez na história, o cenário turbulento começa a ficar para trás.

A aviação, de fato, está prestes a ingressar em uma nova era, e não há aqui nenhum exagero. A revolução é conhecida pela sigla SAF (iniciais em inglês para combustível sustentável de aviação), uma frente de combate que tem atraído os protagonistas do setor. Empresas como a americana Boeing e a brasileira Embraer têm projetos próprios ou apoiam iniciativas que buscam, em essência, tornar a aviação comercial menos poluente. Em linhas gerais, o SAF é um biocombustível que utiliza insumos pouco poluentes. Segundo estudos recentes, ele reduz as emissões de CO2 em até 85%, mas o índice poderá ser maior a depender dos avanços tecnológicos. No Brasil, a produção abundante de cana-de-açúcar deverá dar sustentação à nova demanda, mas há a possibilidade de que o SAF seja produzido a partir de resíduos de madeira, gordura bovina, gás de combustão e até óleo de cozinha.

PARCERIA - Embraer: empresa se uniu à Raízen para criar projetos na área
PARCERIA - Embraer: empresa se uniu à Raízen para criar projetos na área (Embraer/Divulgação)

O surpreendente é que não se trata de iniciativas para um futuro distante. Na verdade, as empresas — e o mundo — têm pressa. “Assumimos o compromisso de certificar nossas aeronaves como 100% compatíveis com o SAF até o início de 2030”, disse a VEJA Landon Loomis, presidente da Boeing para América Latina e Caribe. Um estudo recente financiado pela fabricante americana e realizado pela organização Roundtable on Sustainable Biomaterials (RSB) constatou que o Brasil poderá produzir anualmente até 9 bilhões de litros de SAF com base em resíduos biológicos, volume que corresponde a 125% do consumo atual de querosene fóssil no país. Para mostrar o avanço do SAF, a Boeing e a RSB vão fazer um fórum de sustentabilidade em São Paulo no dia 8 de agosto. “O Brasil tem a oportunidade de ser um dos líderes globais na produção de SAF”, diz Carolina Grassi, responsável pela área de políticas públicas e inovações da RSB. Será mais um passo do país nas energias verdes (veja o quadro).

Ser uma potência do agronegócio e ter tradição no setor aéreo são fatores que deverão impulsionar o SAF no mercado brasileiro. No ano passado, a Embraer e a Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do mundo, assinaram uma carta de intenções para desenvolver projetos ligados ao combustível sustentável. Uma das ideias é que a Embraer passe a ser a primeira montadora de aeronaves a consumir o SAF distribuído pela Raízen. Outra frente de pesquisa é o chamado hidrogênio verde, gás produzido a partir de fontes renováveis. A Embraer se uniu à fabricante britânica de peças para aviões GKN Aerospace para desenvolver tecnologias na área.

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Os combustíveis sustentáveis, contudo, têm pela frente o desafio de reduzir custos. Pelo fato de ainda ser produzido em baixa escala, o SAF é ao menos três vezes mais caro que o querosene. Com o aumento da demanda e o aprimoramento tecnológico, a tendência é o barateamento, mas isso deverá levar ainda um bom tempo. Não à toa, a oferta de SAF no mundo atualmente é suficiente apenas para atender à demanda de uma companhia aérea americana de grande porte por um único dia. Um estudo da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA, na sigla em inglês) apontou que a descarbonização da aviação civil como um todo demandará 5 trilhões de dólares em investimentos por parte das empresas até 2050. Além dos aportes nos novos combustíveis, o montante inclui melhorias operacionais e em infraestrutura aeroportuária. Na nova era ambiental, a sustentabilidade é um caminho sem volta. Nesse contexto, a aviação se prepara para deixar o azul dos céus cada vez mais verde.

Publicado em VEJA de 9 de agosto de 2023, edição nº 2853

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