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Mesmo com inflação alta, mercado aposta em manutenção da Selic

A principal dúvida é se a instituição manterá a afirmação de que a estabilidade dos juros "por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada" para garantir a queda da inflação, ou se o BC indicará que pode subir a taxa básica em breve

Por Da Redação - 6 mar 2013, 14h14

O Banco Central deve manter a taxa básica de juros (Selic) nos atuais 7,25% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira. Essa é a expectativa quase unânime no mercado financeiro, que estará atento a possíveis mudanças no comunicado da decisão.

A principal dúvida é se a instituição manterá a afirmação de que a estabilidade dos juros “por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada” para garantir a queda da inflação. Ou se o Banco Central indicará que pode subir a taxa básica de juros em breve. Os juros estão no patamar atual desde outubro. Na última reunião do Copom, em janeiro deste ano, o Banco Central disse que o balanço de riscos para a inflação havia piorado.

Por outro lado, a instituição afirmava que a recuperação da economia brasileira era menos intensa do que o esperado e que a crise externa ainda afetava o país. Por isso, decidiu não mexer nos juros. Desde então, os números e previsões para a inflação só pioraram, com a taxa acumulada em 12 meses cada vez mais próxima do limite de 6,5%. E os dados sobre o crescimento econômico divulgados na semana passada, de 0,9% em 2012, também ficaram aquém do esperado pelo governo.

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Desconforto – Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco WestLB, diz que, apesar do desconforto demonstrado pela autoridade monetária com o comportamento recente dos preços, prevalece no governo a visão de que a inflação vai retomar o movimento de queda no segundo semestre. A nova decepção com o crescimento econômico no fim do ano passado também deve fazer com que o governo mantenha a política econômica voltada para o crescimento.

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“Apesar de compartilharmos a visão de que a inflação deverá apresentar tendência de queda na segunda metade do ano, avaliamos que o movimento se dará a partir de um patamar bem superior ao esperado pelo Banco Central, acima do teto da meta, forçando a autoridade monetária a iniciar um ciclo moderado de alta de juros no terceiro trimestre”, disse Rostagno.

Para o professor da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, o governo está aceitando uma inflação mais alta, desde que ela não supere o teto da meta. “Até o fim do ano os juros poderão ser mantidos. O baixo crescimento do PIB ajuda a manter a taxa”, afirmou o economista, que acredita que o Copom vai manter a taxa básica em 7,25% ao ano.

Levantamento feito com instituições financeiras e empresariais mostra que o mercado está dividido em relação às futuras decisões do Banco Central: 36 mantêm a expectativa de estabilidade ao longo do ano; outras 36 esperam que a taxa Selic suba, encerrando 2013 entre 7,5% e 9% ao ano.

(Com Estadão Conteúdo)

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