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Juros futuros perdem com dólar e mercado externo

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – O rumo do mercado de juros futuros continua sendo ditado pela alta do dólar e pelo ambiente externo em deterioração. A intervenção do Banco Central hoje no mercado de câmbio serviu para conter um avanço mais consistente dos DIs. Com isso, enquanto os vencimentos curtos devolvem prêmios, ancorados na expectativa de que o BC permanecerá reduzindo juros em virtude do ambiente internacional, momentaneamente deflacionário, as taxas projetadas pelos contratos longos sobem, tanto devido à incerteza de que a estratégia da autoridade monetária é a mais correta neste momento de atividade interna ainda aquecida quanto pela percepção de que será necessário retomar o aperto monetário mais adiante. A queda das commodities, hoje, serve de argumento para a estratégia do BC, enquanto os dados de inflação corrente e de emprego dão munição para os críticos da última redução da Selic, para 12% ao ano.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012 (440.775 contratos) marcava 11,28%, de 11,36% no ajuste. O DI janeiro de 2012 (419.435 contratos) recuava para 10,69%, de 10,69%. A partir do vencimento janeiro de 2014 as taxas subiam. Esse vencimento, com giro de 179.490 contratos, estava em 11,30%, de 11,24% na véspera. O DI janeiro de 2017 (73.390 contratos) saltava para 11,98%, de 11,80% no ajuste, enquanto o DI janeiro de 2021 (5.860 contratos) avançava para 11,96%, de 11,80%.

O dia foi de forte correção nos preços das matérias-primas. O petróleo WTI para novembro cedeu 6,51%, a US$ 80,33 por barril na Nymex. O cobre para três meses na London Metal Exchange tombou 7,54%. Com isso, o índice CRB (sigla para Commodity Research Bureau, índice que é referência global para as commodities) cedeu 4,41%, reduzindo o avanço das cotações em real, uma vez que a valorização da moeda norte-americana no balcão ficou em 3,52%, a R$ 1,910.

Não houve nenhuma notícia concreta para desencadear a forte aversão ao risco vista nos mercados, mas o conjunto da obra dos últimos dias serviu de mote para esse movimento. Os agentes começaram a semana esperançosos de que a troica traria uma solução momentânea para a Grécia, além de esperar uma atitude mais forte do Fed. Como os europeus adiaram a solução para a crise de dívida e o Fed, apesar de confirmar a Operação Twist, trouxe perspectivas nebulosas para a economia norte-americana, os investidores concluíram que os ativos estavam sobrevalorizados. Essa percepção fez as bolsas ao redor do mundo despencarem.