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Inadimplência não impede consumidor de compras na Páscoa

Pesquisa aponta produtos mais desejados e os gastos

Por Veruska Costa Donato 24 mar 2026, 14h31 • Atualizado em 24 mar 2026, 15h34
  • A Páscoa de 2026 promete lojas cheias e carrinhos abastecidos, mas também exige um olhar mais atento para o orçamento. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil, cerca de 106,8 milhões de brasileiros devem ir às compras — o equivalente a 65% da população. É um avanço importante, com mais 4,2 milhões de consumidores em relação ao ano passado, mostrando que a data segue forte no calendário do varejo.

    Gasto

    O gasto médio, porém, chama atenção. Cada consumidor pretende desembolsar cerca de R$ 253 em uma cesta que mistura tradição e variedade. Aqui, o economista Denis Medina (Anhembi Morumbi) chama a atenção para o tamanho do custo: “É um gasto considerável se você levar em conta o salário mínimo de 1.600 reais, quase 10 a 20%”, resume.

    Ovos de Páscoa

    O chocolate segue como protagonista: ovos industriais lideram com 56% da preferência, seguidos pelos bombons, escolhidos por metade dos consumidores. Ao mesmo tempo, produtos artesanais ganham espaço, indicando um consumidor mais aberto à qualidade e à experiência.

    Brasileiro pechincha

    Aliás, esse é um ponto interessante da pesquisa: pela primeira vez, a qualidade (45%) aparece à frente do preço (44%) como principal critério de escolha. Não significa que o brasileiro deixou de pechinchar — longe disso. Pelo contrário: 82% dizem que vão pesquisar preços, e mais da metade acredita que os produtos estão mais caros do que no ano passado. A diferença é que, agora, há uma tentativa de equilibrar custo e valor percebido.

    Velho hábito

    Na forma de comprar, o velho hábito ainda predomina. Apesar da internet ser usada por 62% dos consumidores para pesquisa, 95% das compras devem acontecer nas lojas físicas, com destaque para os supermercados, que concentram conveniência e variedade. E há um comportamento clássico: 45% deixam para a última hora, o que pressiona estoques e abre espaço para oscilações de preço.

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    Sinal amarelo

    Mas o dado que realmente acende o sinal amarelo está no endividamento. Entre os que pretendem comprar, 38% estão com contas em atraso — e, desse grupo, 75% já estão negativados. É um retrato de um consumidor que não abre mão da data, mesmo com o orçamento apertado. Ao mesmo tempo, mais da metade dos que vão ficar fora das compras diz que a prioridade agora é pagar dívidas.

    Alerta

    O economista Denis Medina faz um alerta direto: o problema não é só renda, é planejamento. Segundo ele, comprometer uma fatia relevante do orçamento com itens de consumo imediato pode agravar uma situação já delicada. A recomendação é simples — e difícil na prática: encarar os números, ajustar expectativas e, se for o caso, trocar o ovo maior por uma versão mais modesta. Porque, no fim, a conta sempre chega.

     

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