Ibovespa encerra pregão com primeira alta no mês de agosto
Após 13 quedas consecutivas, a bolsa brasileira registrou leve recuperação com alta de 0,37%, aos 115 mil pontos
Após enfrentar um período turbulento de 13 quedas consecutivas, o Ibovespa reagiu e teve sua primeira alta no mês, de 0,37%, aos 115 mil pontos. Apesar do cenário externo adverso diante dos indicadores econômicos desfavoráveis da China e da ata do Fed, o banco central americano, indicando preocupações com a inflação, as ações da Petrobras e das varejistas ajudaram a impulsionar o Ibovespa.
A queda dos juros futuros agiu como um catalisador para o setor varejista, trazendo um alento em meio ao caos financeiro recente. “As ações das varejistas, lideradas por Magazine Luiza e Carrefour BR, se recuperaram das perdas recentes e se beneficiaram da queda dos juros futuros no pregão de hoje”, diz Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos.
Entretanto, a ligeira melhora não significou um abandono da cautela por parte dos investidores. O pedido de proteção contra falência da Evergrande nos Estados Unidos e os prejuízos reportados por diversas incorporadoras estatais chinesas causaram instabilidade nos mercados globais. Essa instabilidade afetou, em particular, empresas brasileiras com fortes laços comerciais com a China, como é o caso da Vale. “Mesmo com o minério subindo, trata-se de certa forma de uma instabilidade ou falta de informação do que pode acontecer na China. Há um risco de um default, já há um movimento do governo chinês de tentar segurar ou de não passar informações para o mercado, então a gente realmente não sabe qual é a informação concreta e verídica do que está acontecendo na China”, comenta Dierson Richetti, especialista em mercado de capitais e sócio da GT Capital.
Outro fator que adicionou cautela ao mercado foi a significativa retirada de dólares do Brasil. Em apenas uma semana, um montante de 9 bilhões de dólares migrou do país em direção aos Estados Unidos, em resposta às mudanças nas taxas de juros. Nessa semana o título americano de 10 anos atingiu os níveis de 2007 com uma taxa de 4,32%. “Todos esses cenários geraram essas quedas consecutivas”, diz Richetti.
O panorama interno também não está livre de complicações, especialmente com assuntos fiscais pendentes, como a votação do arcabouço fiscal. A combinação desses elementos nacionais e internacionais certamente impactou o comportamento do mercado nos últimos tempos. O mercado enfatiza a necessidade de um “evento significativo” para realmente impulsionar o Ibovespa novamente. Contudo, os investidores são aconselhados a manter a cautela, analisando cuidadosamente cada passo dado no xadrez financeiro. Afinal, em um ambiente tão volátil, cada jogada é crucial para determinar o futuro dos investimentos.





