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Haddad busca “limpar” imagem do Brasil na França e dá recado a Trump

O ministro aproveita o momento geopolítico para posicionar o Brasil como um aliado estratégico em meio à crescente fragmentação do comércio global

Por Luana Zanobia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 abr 2025, 10h49

Ao desembarcar em Paris para uma rodada de compromissos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, carrega um duplo objetivo: atrair investimentos e reverter a desconfiança europeia sobre o compromisso ambiental do Brasil. Em meio a um cenário global de crescente fragmentação comercial, ele busca apresentar o país como um parceiro estratégico confiável — especialmente para os franceses, historicamente céticos em relação ao acordo entre União Europeia e Mercosul.

O governo brasileiro vê a agenda climática como um dos pilares dessa reaproximação. A imagem do Brasil foi desgastada pelo desmonte de políticas ambientais na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, afastando investidores e gerando resistência no cenário internacional. Agora, Haddad tenta reposicionar o país, destacando iniciativas que conciliam desenvolvimento econômico e sustentabilidade.

Seu discurso, meticulosamente ajustado ao público parisiense, enfatiza convergências entre os países, como a tributação dos super-ricos e a transição verde, enquanto aproveita o momento geopolítico para posicionar o Brasil como um aliado estratégico em meio à crescente fragmentação do comércio global. Com a COP30 em Belém se aproximando, Haddad enfatizou que a conferência deve ser um símbolo de “esperança e ação”, e não de “paralisia ou fragmentação” – um recado indireto ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Nesta terça-feira, 1, o ministro iniciou sua agenda oficial com uma reunião bilateral com Éric Lombard, diretor-geral do Banco Público de Investimento da França (Bpifrance). Mais tarde, deve seguir para encontros com empresários franceses, apresentando um Brasil que voltou a se comprometer com a agenda verde e, ao mesmo tempo, oferece um ambiente macroeconômico mais estável. Os números reforçam seu argumento: crescimento de 3,4% em 2024, taxa de desemprego em mínima histórica (6,6%) e avanços regulatórios com a reforma tributária e a da renda.

O governo tem estruturado uma série de iniciativas para transformar a sustentabilidade em um ativo estratégico para o país. Um dos pilares desse esforço é o Plano de Transformação Ecológica (PTE), que canaliza recursos do Fundo Clima para financiar projetos de energia renovável, infraestrutura verde e descarbonização da economia. Paralelamente, o governo lançou a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP), um mecanismo que busca atrair financiamento nacional e internacional para projetos sustentáveis. O objetivo, segundo Haddad, é criar um ambiente propício para que o setor privado tenha segurança para investir na transição energética.

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Outra frente de atuação é a aposta no hidrogênio verde e em combustíveis sustentáveis, como o Sustainable Aviation Fuel (SAF), cuja regulamentação foi aprovada recentemente pelo Congresso. O governo também pretende fortalecer o Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), um modelo de compensação financeira para países que preservam suas áreas florestais.

Além dessas medidas, o ministro enfatizou o potencial do Brasil no mercado global de carbono. Com uma das maiores reservas florestais do planeta e uma matriz energética já majoritariamente renovável, o país pode se tornar um protagonista na precificação de emissões.

 

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