Guerra entre Estados Unidos e Irã turbina lucros da Shell
Conflito no Oriente Médio eleva ganhos com trading de energia
Por Ernesto Neves
A petroleira britânica Shell deve registrar um salto nos ganhos com negociação de petróleo e derivados no primeiro trimestre, impulsionada pela volatilidade causada pela guerra envolvendo o Irã.
Ao mesmo tempo, a empresa enfrenta queda na produção de gás natural, reflexo direto dos impactos do conflito sobre infraestruturas energéticas no Oriente Médio.
A combinação desses fatores ilustra um paradoxo recorrente no setor: crises geopolíticas tendem a prejudicar operações físicas, mas podem ampliar margens no braço financeiro das grandes petroleiras.
Volatilidade impulsiona lucros no trading
Segundo a companhia, os resultados da divisão de trading, que inclui petróleo, derivados e parte das operações em energia renovável, devem vir “significativamente mais altos” no primeiro trimestre.
A guerra elevou os preços do petróleo e provocou oscilações intensas no mercado, abrindo oportunidades para arbitragem.
Em momentos assim, traders compram e vendem cargas físicas e contratos futuros tentando capturar ganhos rápidos com as variações de preço.
Esse tipo de operação é historicamente uma fonte relevante de lucro para gigantes como Shell e BP, especialmente em períodos de crise.
Em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o mesmo movimento já havia impulsionado resultados recordes no setor.
Estreito de Ormuz amplia risco global
O conflito com o Irã afetou diretamente o fluxo global de energia, sobretudo por causa das tensões no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás.
Interrupções ou ameaças à navegação na região elevam o prêmio de risco e pressionam os preços internacionais, o que alimenta ainda mais a volatilidade e, consequentemente, as oportunidades de trading.
Produção de gás é afetada no Catar
Se por um lado o trading avança, por outro a produção sofre. A Shell projeta uma queda de 3% a 7% na produção de gás no primeiro trimestre, em comparação com o trimestre anterior.
O recuo está ligado a danos em instalações no Catar, onde a empresa mantém ativos estratégicos.
Uma unidade operada pela Shell foi atingida durante o conflito, enquanto uma planta vizinha da QatarEnergy também sofreu impactos. Parte dos reparos pode levar até um ano.
Além disso, a produção de gás natural liquefeito (GNL) foi temporariamente interrompida em uma unidade na Austrália devido a um ciclone, ainda que perdas tenham sido parcialmente compensadas por operações no Canadá.
Trégua pressiona ações de petroleiras
Apesar do cenário de ganhos com trading, o mercado reagiu negativamente às perspectivas mais amplas.
As ações da Shell chegaram a cair cerca de 6,8% em Londres após o anúncio de uma trégua de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, que levou à queda dos preços do petróleo.
Papéis da BP recuaram ainda mais, refletindo a expectativa de menor tensão no curto prazo, o que reduz tanto os preços quanto as margens extraordinárias obtidas durante picos de volatilidade.
Setor vive equilíbrio entre risco e oportunidade
O episódio reforça como o setor de petróleo e gás permanece altamente sensível a choques geopolíticos.
Empresas integradas, como Shell, operam simultaneamente em duas frentes: produção física, vulnerável a interrupções, e trading global, que pode prosperar justamente nesses momentos de crise.
No curto prazo, o conflito com o Irã evidencia esse equilíbrio delicado.
No médio prazo, porém, analistas apontam que a recorrência de choques pode aumentar a pressão por diversificação energética, inclusive em direção a fontes renováveis, onde a própria Shell também mantém operações.
A companhia divulga seus resultados completos do primeiro trimestre em 7 de maio, quando o impacto combinado da guerra deverá aparecer com mais clareza nos números.
Giro VEJA - Segunda, 13 de abril
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin de Bolsonaro, é preso nos EUAA Polícia Federal confirmou nesta segunda-feira, 13, a prisão de Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin no governo de Jair Bolsonaro, nos Estados Unidos. Segundo o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, a prisão é fruto de uma cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos firmada para o combate ao crime organizado. “Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira. Segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”, disse o diretor-geral da PF.






