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Gastos em campo de Libra só devem crescer após 2016

As grandes encomendas só devem chegar dentro de três anos para o consórcio vencedor dar início à fase de desenvolvimento

A Petrobras só deve aumentar seus gastos com o campo de Libra após 2016, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav). É a partir deste ano que devem chegar à indústria as grandes encomendas do setor. Para Augusto Mendonça, presidente da Abenav, é na fase de desenvolvimento, que, em tese, começaria em 2018 e durante a qual é montado o plano que prepara a área para a produção, que os gastos se elevam.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) calcula que nessa fase serão necessários 100 bilhões de reais de investimentos do consórcio, sendo 40 bilhões da Petrobras, já que ela detém 40% do grupo. Os investimentos totais para os 35 anos da concessão são estimados em 400 bilhões reais pela ANP. Essas cifras não representam uma exigência da agência ao consórcio e a Petrobras, operadora, ainda não tem estimativa oficial divulgada.

Vale lembrar que a estatal terá de desembolsar este ano 6 bilhões de reais referentes à sua parcela do bônus de assinatura do contrato de concessão do campo, arrematado pela empresa em consórcio na segunda-feira. Os 9 bilhões de reais restantes a serem pagos ao governo será aportados pelas outras sócias do consórcio: as chinesas CNOOC e CNPC, com 10% de participação cada, a francesa Total (20%) e a anglo-holandesa Shell (20%).

A fase de exploração (pesquisa e prospecção), que se iniciará logo depois de assinado o contrato, é de quatro anos, segundo o edital do leilão. Nessa fase, serão necessários investimentos mínimos de 610 milhões de reais fixados pela ANP para o consórcio, no qual a Petrobras detém participação de 40% (244 milhões de reais). Será a fase menos custosa, em que deverá ser feito o programa exploratório mínimo, que prevê levantamentos sísmicos 3D em toda a área do bloco, a perfuração de dois poços exploratórios e a realização de um teste de longa duração.

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Demanda – O início da produção de petróleo no bloco está previsto para o fim da década, ainda sem cronograma oficial, mas a Abenav acredita que o consórcio vai acelerar o calendário, mas que dependerá da entrega da indústria de construção naval. A ANP calcula serem necessários de 12 a 18 plataformas e de 60 a 90 barcos de apoio para todo o período de exploração e produção, todos com metas de conteúdo local.

Para o presidente da Abenav será um desafio atender a toda a demanda de forma competitiva, mas lembra que a indústria já está aumentando sua capacidade. Os índices de conteúdo local serão de 37% para a fase exploratória, 55% para o desenvolvimento de sistemas de produção previstos para começar a operar até 2021 e 59% para os sistemas com primeiro óleo a partir de 2022.

“Há dez estaleiros no país em construção ou ampliação. A capacidade vai quase dobrar em quatro anos, o cenário mudará completamente”, disse. “Viramos uma página na história ontem, estamos rumando ao primeiro mundo. Libra é uma fonte de riqueza que vai mudar o País, a Economia, o povo”, disse Mendonça.

(com Estadão Conteúdo)