EUA: Inflação mostra perfil controlado e reforça aposta por corte de juros
O CPI nos Estados Unidos marcou uma deflação de 0,1% em junho na comparação mensal, abaixo da expectativa

Os dados do Índice de Preços ao Consumidor americano (CPI, na sigla em inglês) divulgados hoje mostram uma moderação da inflação nos Estados Unidos tanto no indicador principal, quanto nos núcleos, o que reforça a tese de agentes do mercado de que há espaço para pelo menos um corte de juros na maior economia do mundo até o fim do ano.
O CPI nos Estados Unidos marcou uma deflação de 0,1% em junho na comparação mensal, contra uma expectativa de inflação de 0,1%. Na comparação anual, houve inflação de 3%, ante projeção de 3,1% pelos investidores. No caso do núcleo do CPI, que exclui preços mais voláteis, caso dos segmentos de alimentos e energia, a inflação foi de 0,1% em junho ante o mês anterior e 3,3% ante junho do ano passado, ambos levemente abaixo das projeções.
Com a divulgação dos dados, o dólar chegou até a ensaiar uma queda contra o real antes de voltar a ganhar terreno, enquanto a moeda no exterior registra queda – o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas globais, opera em baixa de 0,67%. O Ibovespa segue o bom humor dos investidores e mantém alta de 0,70%, acima dos 128 mil pontos.
“O ‘ralizinho’ [leve alta] do Ibovespa precisa desse alívio no exterior com perspectiva de queda dos juros e inflação nos Estados Unidos e dos yields [rendimentos] das Treasuries [títulos da dívida americana]”, afirma o estrategista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho.
Para Gustavo Zuquim, portfólio manager do Andbank, a inflação americana corrobora mais uma vez a possibilidade de um “soft landing”, ou seja, um processo de redução da inflação via aperto da política monetária até o ponto em que não cause recessão. “O efeito disso é vermos ganhos em diversos ativos de risco”, diz.