Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Empresários e trabalhadores da indústria escrevem manifesto contra medidas fiscais

Liderado pela Abimaq, o grupo hoje conta com o apoio de 39 entidades da indústria e as principais centrais sindicais, mas pode ganhar reforço na semana que vem

Empresários estão costurando um documento de protesto contra as medidas de austeridade fiscal do governo brasileiro. Liderado pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o grupo reúne 39 entidades da indústria e as principais centrais sindicais. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e os empresários do setor de construção pesada podem aderir ao movimento na semana que vem, encorpando as críticas.

No documento, chamado de “Manifesto da Coalização Capital-Trabalho para a Competitividade e o Desenvolvimento”, os manifestantes cobram medidas para ajudar a indústria, alegando que a competitividade da indústria de transformação “está sendo destruída”. Isso porque o país vive, segundo eles, um momento de juros elevados, câmbio ainda valorizado, carga tributária elevada e cumulatividade de impostos.

“A indústria de transformação tem a maior carga tributária entre todos os setores da economia, pois de tudo o que produz 45% viram impostos”, disseram as entidades no documento.

Leia também:

Produção industrial cai 5,2% em janeiro na comparação anual

Venda de veículos novos no Brasil despenca em fevereiro, indica Fenabrave

Indústria de transformação

São atividades que transformam a matéria-prima em um produto final ou intermediário para outra industria de transformação. Exemplo: refinarias de petróleo, petroquímicas, siderúrgica, entre outras.

O grupo pede também mais desonerações de impostos, o oposto do que a equipe econômica da presidente Dilma Rousseff está fazendo neste ano, visando o equilíbrio fiscal.

Na semana passada, o governo anunciou a elevação do tributo sobre o faturamento das empresas antes beneficiadas com a desoneração da folha de pagamentos. O texto foi devolvido pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, movimento que gerou um mal-estar político e econômico. Os investidores questionam se o governo vai conseguir fazer os ajustes fiscais necessários. Reagindo a essas preocupações, o dólar bateu 3 reais na quarta-feira e a bolsa de valores caiu.

Entidades – Assinam o manifesto o Instituto Aço Brasil, Abimaq, Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) e Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), entre outras.

Do lado dos trabalhadores, participam do documento a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Central de Trabalhadores do Brasil (CTB), além dos maiores sindicatos do país, como o dos Metalúrgicos do ABC e dos Metalúrgicos de São Paulo.