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Dólar oscila após abrir com leve queda ante real

Por Silvana Rocha

São Paulo – O mercado de câmbio doméstico começa julho e o segundo semestre com o dólar oscilando entre leves queda e alta em relação ao real, em meio à valorização da moeda dos EUA ante o euro e ao comportamento misto exibido diante de algumas moedas de países emergentes ligadas a commodities.

O dólar futuro para agosto de 2012 abriu em baixa de 0,05%, a R$ 2,020. Até 9h31, oscilou entre mínima em R$ 2,0160 (-0,25%) e máxima de R$ 2,0245, alta de 0,17%.

No mercado internacional, o euro subiu mais cedo até US$ 1,2673, mas por volta das 9h30 caía, após tocar mínima em US$ 1,2587, ante US$ 1,2660 no fim da tarde de sexta-feira. Às 9h36, o euro recusava 0,51%, para US$ 1,2596. A alta inicial foi dissipada após relatos de que a Holanda e a Finlândia planejam bloquear a capacidade do Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM) de comprar bônus, uma das medidas anunciadas na cúpula da União Europeia na semana passada. Além disso, novos dados mostram queda da produção manufatureira no bloco econômico, desanimando os investidores.

Por isso, os agentes financeiros retomam a cautela com a economia mundial. Se ao longo da semana os dados dos EUA não sinalizarem para uma recuperação da atividade é possível que o mercado volte a especular sobre uma eventual terceira rodada de medidas de estímulo à economia. Neste caso, o dólar poderia se enfraquecer em relação às demais moedas.

Por enquanto, a busca de proteção favorece a moeda norte-americana. Novos dados de atividade mostrando retração na China e contração na zona do euro elevam expectativas de que o Banco Central Europeu (BCE) poderá anunciar na sexta-feira um corte de 0,25 ponto porcentual em seu juro básico, para 0,75% ao ano. O presidente do BCE, Mario Draghi, dará entrevista para comentar a decisão.

Os bancos centrais da Suécia, da Polônia e da Inglaterra (BoE) também devem se reunir e tendem a divulgar entre quinta e sexta-feira, a manutenção de suas taxas de juros em, respectivamente, 1,5%, 4,5% e 0,5%. No caso do BoE, também poderá ser feita uma elevação da meta de compras de ativos a 375 bilhões de libras, de 325 bilhões de libras.

Nos Estados Unidos, após o feriado da Independência nesta quarta-feira (4 de julho), sairão os dados do mercado de trabalho no setor privado, que antecedem os números oficiais sobre criação de vagas no país (payroll) e taxa de desemprego, na sexta-feira. Os participantes do mercado acreditam que se os números da sondagem industrial, gastos com construções e encomendas à indústria dos EUA, que saem entre hoje e amanhã, desapontarem é possível que o Federal Reserve volte a considerar a possibilidade de uma terceira rodada de estímulo ao mercado.

Por aqui, com o tombo de 3,50% do dólar na sexta-feira – último dia útil de junho e do primeiro semestre -, para R$ 2,010, o mercado tem espaço para ajustar posições compradas. O tombo da moeda na sessão anterior refletiu a animação dos mercados com as medidas da cúpula da União Europeia para contornar a crise na zona do euro. Os destaques foram a criação de um órgão supervisor comum para os bancos, com o envolvimento do Banco Central Europeu, que vai permitir que o fundo de resgate permanente (ESM) recapitalize as instituições financeiras, sem passar pelos governos. Além disso, foi confirmado que o resgate aos bancos espanhóis será feito pelo mecanismo de socorro atual (EFSF), ao mesmo tempo em que deixou de existir a prioridade de recebimento para os países credores, em detrimento dos investidores privados, no caso de um default.

Além disso, o recuo do dólar foi favorecido pelo leilão de swap cambial (que equivale à venda de dólares no mercado futuro) – o terceiro sequencial – e pela remoção da regra que impedia que os exportadores fizessem operações de pré-pagamento com instituições financeiras e outras empresas que não fossem os importadores de seus produtos. Na semana passada, o BC despejou nada menos do que cerca de US$ 9 bilhões em swap cambial no mercado, para atender à demanda por hedge e para ajustes de fim de semestre de bancos e empresas.

Hoje, na pesquisa Focus, do BC, o mercado financeiro reduziu pela oitava semana consecutiva a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012. A mediana das previsões para a expansão da economia brasileira neste ano caiu de 2,18% para 2,05%. A queda acontece no primeiro levantamento após a redução, na semana passada, da estimativa oficial do BC para o PIB em 2012, que passou de uma alta 3,5% para +2,5%. Para 2013, foi mantida a previsão de que a economia brasileira deve crescer 4,20%. Para a inflação, a mediana do IPCA em 2012 recuou pela sétima semana seguida e passou de 4,95% para 4,93%; enquanto que para 2013, após duas quedas seguidas, a projeção ficou inalterada em 5,50%. Já para o câmbio, as projeções seguem em R$ 1,95 para o fim de 2012 e, em R$ 1,90 para o fim de 2013. O câmbio médio, por sua vez, segue em R$ 1,92 em 2012 e caiu de R$ 1,91 para R$ R$ 1,90 em 2013. Já o superávit comercial estimado caiu de US$ 20 bilhões para US$ 19,2 bilhões em 2012 e de US$ 15 bilhões para US$ 14,78 bilhões em 2013.

Na sexta-feira, o Banco Central divulgou a Circular 3.605 com novidades sobre operações no mercado de câmbio a partir de hoje. De acordo com a norma, os registros das operações de arbitragem com moeda no “novo Sistema Câmbio” continuarão a ser feitos até 19h e não até 17h, como previsto originalmente. A mudança beneficia operações de troca de divisa estrangeira por outra moeda internacional. O registro das operações interbancárias de câmbio passará a ser eletrônico. A liquidação em moeda nacional das operações interbancárias também poderá ser feita via débito ou crédito em contas das instituições compradores e vendedoras de câmbio. “A mudança beneficiará as instituições financeiras de menor porte que não possuem contas de liquidação no Sistema de Transferências de Reservas (STR)”, diz o BC em nota.