Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Dívida externa privada é a maior da história, aponta BC

Segundo jornal, dívida externa de bancos e empresas privados do país dobrou desde o fim de 2009, alcançando US$ 208 bilhões no 3º trimestre de 2014

A dívida externa de bancos e empresas privados do país dobrou desde o fim de 2009, atingindo 208 bilhões de dólares no terceiro trimestre de 2014, maior valor da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em 1989. O aumento substancial do endividamento foi facilitado pelos juros baixos praticados em países desenvolvidos, que buscam estimular suas economias. As informações foram publicadas nesta terça-feira pelo jornal Folha de S. Paulo.

O elevado volume de dívidas tem preocupado agentes do mercado. Isso porque há a expectativa de que o Fed, o banco central americano, comece a subir os juros nos próximos meses, o que pode levar investidores a retirar dinheiro de países emergentes para aplicar nos Estados Unidos.

Leia mais:

Economia para pagar juros da dívida em janeiro é a menor desde 2009

Dívida do Brasil recua 2,09% em janeiro

Arrecadação federal cai 5,4% em janeiro e tem pior resultado para mês desde 2012

Segundo o BC brasileiro apenas 16,8% das empresas nacionais com dívida em moeda estrangeira não possuem nenhum tipo de proteção contra uma desvalorização do câmbio (hedge). Mesmo que a fatia seja pequena, os elevados vencimentos de parcelas dívida neste ano pode causar uma pressão extra sobre o real. O volume de amortizações a serem pagas em 2015 é recorde, de 102,5 bilhões de dólares, incluindo dívidas de curto e longo prazos. Deste total, quase 90%, ou 89,7 bilhões de dólares, são do setor privado.

“Esse volume alto de amortizações pode colocar pressão extra sobre o câmbio”, afirmou ao jornal Caio Megale, economista do Itaú Unibanco.

Carlos Caicedo, analista de Brasil da consultoria IHS, pondera que as empresas brasileiras tiveram tempo de preparação para o cenário de real mais fraco. No entanto, ele reforça que a situação pode complicar caso o Brasil perca o grau de investimento, o que aumentaria o custo para rolar as dívidas contraídas.

(Da redação)