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Decisão do Fed mexe pouco com juros futuros

Por Da Redação - 20 jun 2012, 16h43

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – A confirmação, pelo Federal Reserve, da prorrogação da Operação Twist, que agora passa a valer até o fim deste ano, não alterou a direção das taxas futuras de juros. Os vencimentos de curto prazo continuaram apresentando pequeno acúmulo de prêmios, enquanto os longos ficaram de lado. Na visão de profissionais de renda fixa, a influência limitada da decisão do Fed sobre os ativos mostra que os mercados já estavam bem precificados para tal fato.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (287.255 contratos) estava em 7,73%, de 7,71% no ajuste. A taxa projetada pelo contrato janeiro de 2014 (290.255 contratos) marcava 8,08%, de 8,03% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (88.280 contratos) cedia para 9,61%, de 9,63% ontem, enquanto o DI janeiro de 2021 (4.230 contratos) indicava 10,15%, de 10,13% no ajuste.

Por aqui, os dados de atividade parecem dar margem à continuidade do relaxamento monetário. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), atingiu 56,1 pontos em junho, caindo 1,8 ponto em relação a maio. Indicador semelhante divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado na prévia da Sondagem da Indústria de junho apontou queda de 0,5% em relação ao resultado de maio. Além disso, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) da indústria recuou de 84,0% no mês passado para 83,7% em junho, segundo a mesma prévia.

Foi justamente o comportamento da indústria um dos fatores a fazer com que o Credit Suisse revisasse sua projeção para o PIB do segundo trimestre de +0,8% para +0,5% em relação aos primeiros três meses do ano, o que provocou a redução da estimativa para o crescimento em 2012 para 1,5%, de 2% anteriormente. “Essa revisão deve-se à redução da produção industrial em abril, à nossa expectativa de nova contração da atividade industrial em maio e às nossas projeções para os demais setores”, afirmou em relatório a equipe de economistas do Credit Suisse em referência à revisão para o segundo trimestre.

Lá fora, o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc) fez o que a maioria do mercado esperava, ao prorrogar a Operação Twist que venceria no dia 30 de junho. A operação é um procedimento pelo qual o Fed vende bônus de curto prazo para usar os recursos para comprar Treasuries de prazo mais longo. É um esforço para reduzir as taxas de juros de longo prazo, suavizar a inclinação da curva de juros e trazer mais previsibilidade para que as famílias e empresas encontrem condições mais favoráveis para assumirem empréstimos e investirem. A decisão veio acompanhada de indicações de que os membros da autoridade monetária norte-americana projetam desaceleração do crescimento econômico, alta da taxa de desemprego e inflação mais baixa no decorrer dos próximos anos.

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