Copom vê como “apropriada” continuidade de elevação na Selic

A autoridade monetária ainda observa uma inflação persistente no ano que vem e acima do centro da meta, apesar de ela ter desacelerado neste fim de ano

Por Da Redação - 5 dez 2013, 08h54

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) disse, em sua ata da última reunião, que “entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso”, abrindo espaço para elevações futuros da taxa básica de juros, Selic, em 2014. Para chegar a essa conclusão, a autoridade monetária lembra que a inflação está mais controlada neste fim de ano, mas “persiste”, ficando, inclusive, acima do centro da meta em 2013, 2014 e terceiro trimestre de 2015. O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou o centro da meta de inflação em 4,5%.

No documento, o Comitê diz que a inflação ainda mostre resistência, vista a variação dos índices de preços nos últimos 12 meses. Com isso, o mercada acaba indexando formalmente ou informalmente essas altas de preços. Assim, o órgão acredita que a persistência desse processo teria impacto negativo sobre o consumo e os investimentos, o que “faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido.”

Em outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação, acelerou para 0,57% em outubro, depois de marcar alta de 0,35% em setembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador acumula alta de 4,38% no ano e de 5,84% em 12 meses, distante do centro da meta de inflação do governo, de 4,5%. Em setembro, o indicador subiu 5,86% em 12 meses. Economistas ouvidos pelo Banco Central para o relatório semanal Focus apostam em alta de 5,81% para a inflação neste ano e de 5,92% em 2014.

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Na semana passada, o Comitê elevou em 0,50 ponto porcentual, para 10% ao ano, em decisão unânime, sem viés – ou seja, a decisão é válida até o próximo encontro, em janeiro de 2014. Trata-se da sexta elevação consecutiva da Selic neste ano. A trajetória de alta teve início em abril, quando a autoridade monetária subiu a Selic de 7,25% (mínima histórica) para 7,5%. Esta é a maior taxa de juros desde janeiro de 2012. Na ocasião da divulgação, o Copom não deu qualquer sinalização sobre as razões que nortearam a decisão, como geralmente fazia.

“O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária”, diz. Ele pondera ainda que os efeitos das ações de política monetária anteriores ainda não foram totalmente sentidos na economia porque sua transmissão para a inflação “ocorre com defasagens”.

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Parte do mercado passou a acreditar que o BC desacelerará o passo e subirá a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, depois de cinco altas seguidas de 0,50 ponto.

O Comitê diz ainda que o cenário internacional permanece complexo, mesmo não prevendo eventos turbulentos até a próxima reunião, em 14 e 15 de janeiro de 2014. A valorização do dólar frente ao real, observado nos últimos meses e que impactou a inflação, também parece mais controlada em sua opinião. A economia brasileira, a seu ver, deve se manter ativa no ano que vem. A autoridade monetária também vê “a retomada dos investimentos e continuidade do crescimento do consumo das famílias, esse último favorecido pelas transferências públicas e pelo vigor do mercado de trabalho – que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários”.

Votaram na última reunião o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.

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