Como a queda da Selic pode beneficiar o mercado financeiro
A queda na taxa de juros impulsiona a renda variável, estimula o consumo e fomenta a atividade econômica em geral
A expectativa pelo corte dos juros nesta quarta-feira, 2, é amplamente aguardada pelo mercado, respaldada pela melhoria na inflação e pela aprovação de uma nova regra fiscal, bem como pelo andamento da reforma tributária. Essa perspectiva mais favorável já levou o Ibovespa ao patamar mais alto em quase dois anos, aos 122 mil pontos no final de julho. A queda na taxa de juros beneficia o mercado de ações, estimula o consumo e impulsiona a atividade econômica em geral. Os investidores apostam que o otimismo se manterá ao longo do ano, esperando uma taxa Selic em torno de 12% neste ano e 9% no próximo.
Uma das principais vantagens é a redução do custo da dívida das empresas. Pedro Serra, chefe de pesquisa de ações da Ativa Investimentos, destaca que companhias com altos níveis de alavancagem e endividamento se beneficiam consideravelmente com a queda dos juros, assim como aquelas com perspectivas de crescimento elevado e até mesmo as small caps, que têm menor liquidez no mercado. “Setores relacionados ao consumo, especialmente aqueles ligados a itens de ticket médio mais alto, como compras parceladas, e empresas com maior conexão com o Produto Interno Bruto (PIB), como locadoras de veículos, tendem a se beneficiar e apresentar melhor desempenho em um cenário de queda de juros, desde que as demais variáveis permaneçam constantes”, diz. O setor aéreo, que sofreu as maiores quedas no mês de julho, é um exemplo de segmento alavancado que pode ser favorecido pela redução dos juros. No mês, os papéis da Gol desempenharam em -26,88%, enquanto da Azul foram de -19,03%.
Esses segmentos foram afetados quando a curva de juros começou a subir, saindo de 2% para 13,75% ao ano. O encarecimento do crédito e o aumento da inadimplência foram alguns dos resultados negativos causados pelo aumento da taxa Selic. Para contornar essas consequências, o governo lançou programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola e o Renegocia!, com o objetivo de aquecer a economia e estimular o consumo.
O varejo e empresas ligadas ao mercado doméstico, bem como serviços, devem ser beneficiados tanto por esses programas quanto pela perspectiva de quedas de juros. “Como o mercado tenta se antecipar aos movimentos, já vemos ações desses setores com performance positiva”, diz Marcus Labarthe, sócio-fundador da GT Capital. As ações da Via Varejo acumulam valorização de 17% e as Lojas Renner de 18,37%, desde maio. No setor imobiliário, as principais empresas do ramo (MRV, Cyrela e Eztec) registraram altas significativas no mês de julho. O setor de construção civil também será um grande beneficiado desse movimento de queda nos juros, isso porque quando as taxas de juros estão altas, o acesso ao crédito fica mais restrito, levando potenciais compradores a adiarem ou desistirem de investir em propriedades.
Apesar de a taxa de juros ainda estar em um patamar elevado, se o ciclo de queda continuar e atingir um dígito na faixa de 9%, ativos relacionados à economia doméstica podem apresentar bom desempenho. “Portanto, é recomendado monitorar os setores de varejo de alta renda, shoppings e construção civil”, diz Luccas Fiorelli, sócio da HCI Invest. Além disso, setores concentrados em commodities, como Vale, Petrobras e bancos, também são considerados promissores.





