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Comércio tem pior resultado para maio em 14 anos

Volume de vendas caiu pelo quarto mês seguido; desempenho se equipara ao do mesmo mês de 2001, quando registrou queda de 0,9%

Principal motor da economia nos últimos anos, o consumo continua descendo ladeira abaixo em 2015. O volume de vendas no comércio no país caiu pela quarta vez consecutiva em maio, desta vez com variação negativa de 0,9% ante abril, informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira. Trata-se do pior resultado verificado para o mês desde maio de 2001, quando também caiu 0,9%.

Em relação a maio de 2014, que registrou acréscimo de 4,6%, a queda foi ainda mais acentuada, de 4,5%. Além de ser o sexto recuo seguido nessa base de comparação, é o menor desempenho do varejo no mês desde maio de 2003, quando caiu 6,2%.

De abril para maio, sete das dez atividades investigadas registraram quedas no volume de vendas. As maiores baixas foram verificadas em veículos e motos, partes e peças (-4,6%); material de construção (-3,8%); móveis e eletrodomésticos (-2,1%); e livros, jornais, revistas e papelaria (-2,1%). Na contramão dessa trajetória de queda, aparecem equipamentos e material para escritório, informática e comunicaçãoo (5,5%); tecido, vestuário e calçados (2,7%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,7%).

Na comparação anual, as vendas tiveram queda em cinco das oito atividades averiguadas, com destaques para móveis e eletrodomésticos, que caíram 18,5%; livros, jornais, revistas e papelaria (-11,8%); e tecidos, vestuário e calçados (-7,7%).

O desempenho fraco do varejo no ano é consequência do menor poder de compra do brasileiro, que está segurando mais os gastos com o receio de se endividar em um ano de alta dos juros, inflação e desemprego. Segundo o IBGE, o número também reflete o resultado abaixo do esperado para o Dia das Mães, que é uma das datas comemorativas mais importantes do comércio e inflencia diretamente os setores de móveis e eletrodomésticos e de vestuário e calçados. Neste ano, as vendas caíram na data festiva pela primeira vez em mais de dez anos.

“Maio conseguiu ser pior que abril. O Dia das Mães não teve o efeito positivo que teve nos outros anos. A gente está com oferta de credito menor”, avaliou a coordenadora da pesquisa no IBGE, Juliana Vasconcellos. “(A disseminação das perdas) reforça a conjuntura econômica desfavorável”, completou.

Com o resultado de maio, é provável que o consumo das famílias caia novamente no segundo trimestre deste ano, em torno de 1,5% e 2%, projeta o economista Alexandre Schwartsman. No primeiro, ele recuou 1,5% e foi um dos principais fatores que levaram o PIB a fechar no negativo. “A combinação juros altos, queda no rendimento do trabalhador e impostos mais elevados atingiu forte o consumo”, afirmou.

Schwartsman ainda ressaltou que a crise no setor é generalizada, ou seja, que ela não é causada por uma atividade específica. “O péssimo desempenho das vendas não pode ser atribuído a um par de segmentos, por mais que o de vendas de veículos tenha registrado uma queda expressiva, a maioria das atividades foram afetadas, incluindo a de supermercados, que geralmente são mais resistentes às crises”, avaliou.

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(Da redação)