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Com alta do tomate, aumenta o contrabando na fronteira com a Argentina

Fiscais apreenderam quase 400 quilos em Foz do Iguaçu; inflação do tomate é responsabilizada pelo aumento do transporte ilegal do produto

Por Da Redação 10 abr 2013, 21h42

Fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em Foz do Iguaçu, no Paraná, apreenderam em duas semanas o equivalente a quase 400 quilogramas (kg) de tomate contrabandeado da Argentina. De acordo com o chefe local do Ministério da Agricultura, Antônio Garcez, a maior frequência na apreensão deste tipo de mercadoria se deve à alta do produto no Brasil registrada desde meados de março.

A última apreensão, de cinco caixas de 20 kg cada, foi feita na madrugada desta quarta-feira, na Ponte Internacional da Amizade, principal ligação com Ciudad del Este, no Paraguai. Os outros cerca de 300 kg haviam sido flagrados em pequenos carregamentos que entrariam no país pela fronteira com a Argentina.

As outras foram flagradas na Ponte Internacional Tancredo Neves, principal via de acesso à Argentina, de onde o produto é trazido ilegalmente. “Assim como a farinha, a cebola, o alho e as frutas também bastante procurados durante todo o ano, este tipo de mercadoria exige o certificado fitossanitário internacional e o cumprimento dos processos de importação. Caso contrário, é apreendido”, alerta.

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Com o quilo do tomate sendo vendido nas últimas semanas por cerca de 8 reais em Foz do Iguaçu, muitos moradores da região têm apelado para o contrabando. Na vizinha Puerto Iguazú, o produto pode ser encontrado por até 3 reais o quilo. A grande procura, no entanto, está fazendo o produto desaparecer das prateleiras argentinas. “Antes fazia pedido de tomate, que vem de Posadas, a 300 quilômetros daqui, a cada três dias. Ultimamente tenho feito todos os dias e mesmo assim não está sendo suficiente. Com a procura em alta e as enchentes na região de La Plata, estou tendo que contar com a sorte”, aponta o comerciante Antonio Garrido.

O aumento do preço do tomate e do consequente contrabando expôs outro problema: a falta de fiscais sanitários. “Na Ponte da Amizade não temos nenhum fiscal. E para que o controle seja feito contamos com a colaboração da Receita Federal. Já, na outra fronteira, com a Argentina, trabalha apenas um fiscal, que alterna os horários de expediente entre a noite e o dia”, aponta Garcez.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira mostraram que o preço do tomate subiu 6,1% em março. É uma alta bem menor que a de fevereiro (20,17%), mas ainda assim superior à variação de 350 de 365 preços monitorados pelo instituto. Em 12 meses, a inflação acumulada do tomate já é de 122%, atrás apenas da farinha de mandioca (alta de 151,39%) e à frente da batata-inglesa (97,29%). No mesmo período, o índice geral avançou 6,59%, acima do teto da meta do governo, que é de 6,5%.

(com Estadão Conteúdo)

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