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Censo 2010 confirma que famílias estão cada vez menores

Números preliminares apontam que há 3,39 pessoas vivendo em cada domicílio, ante um índice de 3,79 do censo anterior, realizado em 2000

Por Beatriz Ferrari 26 ago 2010, 13h31

Segundo o IBGE, a evolução demográfica da população brasileira está repetindo a dos países desenvolvidos, só que em uma velocidade muito maior

O Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem previsão para terminar somente em 31 de outubro, mas já constatou que as famílias brasileiras estão menores. Em 23 dias de coleta, foi possível apurar que existem, em média, 3,39 pessoas vivendo em cada domicílio, ante um índice de 3,79 do censo anterior, realizado em 2000. O número não é definitivo, mas confirma a tendência de estreitamento da pirâmide etária brasileira, ou seja, de diminuição da predominância dos jovens em relação ao total da população.

O presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, expôs, em reunião com empresários nesta semana, que o número menor de pessoas nos domicílios brasileiros é reflexo da queda sistemática da taxa de fecundidade no Brasil. De 1940 até 2007, este índice diminuiu 68,3%, e caminha para 1,9 filho por mulher.

O economista explicou que a evolução demográfica da população brasileira está repetindo a dos países desenvolvidos, só que em uma velocidade muito maior. O IBGE prevê um crescimento populacional ao redor de 1,3% ao ano no final desta década, o que levará o país a registrar, em 2050, uma pirâmide etária similar à da França hoje – com base estreita e topo mais alto, o que significa baixa taxa de fecundidade e elevada expectativa de vida.

Nunes afirmou que estes dados estatísticos devem servir de alerta para o governo, que precisa se antecipar a novas necessidades de uma população com essas características. Na visão dele, questões como a previdência, a concentração urbana e o mercado de trabalho têm de ganhar mais atenção daqui em diante.

Tecnologia – O Censo 2010 já conseguiu recensear quase a metade dos domicílios previstos – 47% das 58 milhões de residências previstas em apenas 23 dias. A rapidez na coleta é fruto da tecnologia desenvolvida pelo IBGE para este censo, que consiste em um computador de mão. O aparelho contém não somente os questionários eletrônicos (não mais feitos em papel), mas também a lista dos endereços que o recenseador deve percorrer e um GPS, com detalhes sobre o entorno da região. A meta do IBGE era recensear 9,1% dos domicílios em duas semanas de apuração.

A novidade, além de proporcionar rapidez ao processo, permitirá a associação dos dados estatísticos às suas áreas de referências. Em outras palavras, o processo, denominado georreferenciamento, significa que as informações agora terão endereço. Nunes explica que, com a tecnologia, o acesso a dados poderá ser muito mais específico do ponto de vista territorial. Um eventual pesquisador poderá identificar a existência e a qualidade de saneamento, calçamento, arborização, coleta de lixo e transporte em cada uma das regiões e, a essas informações, associar, de forma agregada, estatísticas sobre número de habitantes, faixa etária, nível de renda, etc.

Ao longo de dois anos, o IBGE dividiu o país em 314 mil “pedaços”, ou “setores censitários”. Com 300 domicílios cada, essas regiões tiveram todas suas coordenadas mapeadas, como ruas e pontos de referências. “Nas cidades grandes, usamos imagens de satélite para complementar”, explica Nunes. Em uma segunda etapa, o IBGE retornou a cada local para identificar todos os domicílios existentes. “Isso vai ser muito importante na hora de pensar a questão habitacional”, avalia.

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