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Bovespa tem melhor agosto desde 2003 com perspectiva eleitoral

Consolidação de um cenário mais difícil para a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) estimulou os investidores. Alta acumulada no mês é de 9,78%

Por Da Redação 29 ago 2014, 18h59

O principal índice da Bovespa registrou o melhor desempenho para o mês de agosto desde 2003, com valorização acumulada de 9,78%. Os ganhos ao longo dos últimos 29 dias foram impulsionados por dois principais fatores: a forte participação de estrangeiros e a consolidação de um cenário mais difícil para a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).

Os papéis do chamado “kit eleições”, composto por empresas estatais, tiveram uma contribuição importante para o avanço acumulado do mês. As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras encerraram agosto com avanço acumulado de 22,25%, enquanto as ordinárias (ON, com direito a voto) subiram 23,07%. O Banco do Brasil subiu 26,55%, enquanto a Eletrobras PN avançou 13,41% e ON ganhou 30,4%. O peso total dos papéis dessas estatais no índice é de 15%.

“O mercado está ajustando seus preços para a provável derrota de Dilma na corrida eleitoral. É possível observar isso nas últimas semanas com a ascenção de Marina Silva nas pesquisas de intenção de voto”, afirmou Antônio Madeira, economista da LCA Consultores. Para o sócio da Leblon Equities, Marcelo Mesquita, a chance de Dilma perder a disputa passou para 90% nos últimos 30 dias.

Álvaro Bandeira, da Órama, destaca que a contribuição mais consistente para alta do mês foi provocada pelos fluxos robustos de investidores estrangeiros. “A dois dias de terminar o mês já temos um saldo de 2,3 bilhões de reais. Isso forma colchão de preços e dá uma sustentação aos negócios”, afirmou.

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Na semana do PIB, a palavra é recessão

Cenário político – A dinâmica eleitoral também guiou a bolsa no último pregão do mês. Nesta sexta-feira, o Ibovespa encerrou em alta de 1,65%, aos 61.288 pontos, maior pontuação desde 23 de janeiro de 2013. Números do IBGE mostrando recessão técnica da economia brasileira acabaram tendo efeito positivo pelo eventual efeito na intenção de voto, com agentes avaliando que reforçam o quadro menos favorável à reeleição de Dilma. À tarde, as atenções voltaram-se para o programa de governo do PSB, que prometeu menor presença do Estado na economia, criando condições para elevar a presença do capital privado nos investimentos, assim como assegurou independência institucional ao Banco Central.

No radar dos investidores, está a divulgação da próxima pesquisa eleitoral Datafolha, na noite desta sexta-feira. A primeira pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada, mostou Marina Silva com 21% das intenções de voto, em empate técnico com o tucano Aécio Neves, que teve 20%. A presidente Dilma seguiu na frente, com 36% da preferência do eleitorado. Pastor Everaldo, do PSC, ficou com 3%.

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Segundo semestre não deve mostrar alívio

Dólar – O dólar fechou praticamente estável ante o real nesta sexta-feira, com oscilação negativa de 0,01%, a 2,2390 reais na venda. Em agosto, recuou 1,36%.

(Com Reuters)

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