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BNDES deve elevar juros a partir de 2015, diz Luciano Coutinho

O aumento dos juros, contudo, preservará alguns setores, em especial as áreas de infraestrutura e projetos voltados para a competitividade da indústria

Por Da Redação 3 dez 2014, 15h32

Para se adaptar à realidade de menos aportes do Tesouro diante de uma nova política fiscal, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) elevará suas taxas de juros. Segundo o presidente do banco, Luciano Coutinho, o quanto e quando as taxas subirão ainda será definido em reuniões com autoridades em Brasília. “Haverá impacto no custo final dos empréstimos”, disse Coutinho, em entrevista coletiva nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro. “O aumento de juros será compatível com a taxa de retorno dos projetos. O objetivo não é inviabilizar investimentos, é atender à orientação da política econômica. Haverá aumento de maneira compatível com a taxa de retorno dos projetos”, completou o presidente do BNDES.

Ainda não há data para o anúncio das novas taxas. O aumento dos juros preservará alguns setores, em especial as áreas de infraestrutura e projetos voltados para a competitividade da indústria.

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Ajustes – Os ajustes no BNDES serão feitos com ajustes na política operacional, que já passou por mudanças no início deste ano, afirmou Coutinho. Não há, assim, expectativa de mudança drástica. “A política operacional terá uma rodada de ajustes bastante incisivos”, afirmou. Segundo ele, a atual política operacional já faz com que o banco use “porcentuais mais baixos de TJLP no funding (financiamento)” e uso de “porcentuais mais altos de funding (financiamento) de mercado”.

A TJLP é a taxa de juros subsidiada por recursos do Tesouro e é usada pelo banco de desenvolvimento para financiar empresas. Uma das maiores críticas ao uso indiscriminado da TJLP é o fato de ela inibir a competição dos bancos privados ao financiamento de projetos, tendo em vista que as taxas praticadas pelo BNDES se tornam, graças aos subsídios, imbatíveis.

Segundo Coutinho, o banco segue a determinação de diminuir a necessidade de aportes. “O banco está preparado para esse processo. Assim como o BNDES respondeu contraciclicamente (aumentando o crédito), está preparado para retração”, afirmou Coutinho.

Aportes – O governo liberou mais 30 bilhões de reais dos cofres do Tesouro ao BNDES nesta quarta-feira. O novo aporte que vai impactar a dívida pública no momento em que a nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff (PT) já sinalizou mais rigor fiscal. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou que esse montante servirá para dar suporte à demanda por empréstimos, como bens de capital, do banco de fomento. Durante a tarde, Luciano Coutinho reiterou a necessidade de aportes, mas enfatizou a desaceleração da atuação do banco no financiamento de empresas. Segundo Coutinho, o valor liberado agora servirá para bancar os desembolsos do final de 2014 e começo de 2015.

(Com Estadão Conteúdo)

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