O bitcoin dispara e atinge o maior patamar em quase um mês nesta quarta-feira, 4. O mercado cripto acompanha o bom humor global dos ativos de risco, após as tensões provocadas pelo início da guerra no Oriente Médio causarem pânico no mercado nos últimos dias. Por volta das 17h, a criptomoeda subia 7,61%, a 73.683 dólares. Para o curto prazo, analistas ouvidos por VEJA avaliam que o cenário ainda é desafiador, com o bitcoin distante de reverter a tendência de baixa observada desde outubro.
Para Francis Wagner, head de criptomoedas da Hurst Capital, o fluxo de investidores institucionais voltou a ganhar força, sobretudo por meio dos Exchange Traded Funds (ETFs) de bitcoin negociados nos Estados Unidos, que seguem como uma das principais portas de entrada para o mercado. “Paralelamente, o avanço da infraestrutura institucional, com grandes instituições financeiras ampliando serviços de custódia e negociação de criptoativos, reforça a percepção de maturidade do setor e ajuda a sustentar a demanda pelo ativo”, afirma.
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Segundo Wagner, outro fator que contribuiu para o fortalecimento do sentimento positivo foi o ambiente político e regulatório nos Estados Unidos. A possibilidade de Kevin Warsh assumir a presidência do Federal Reserve passou a ser interpretada por parte do mercado como potencialmente favorável ao ecossistema de ativos digitais.
“Mesmo em um cenário global ainda marcado por incertezas, especialmente diante das tensões entre Estados Unidos, Irã e Israel, o bitcoin tem demonstrado resiliência e reagido rapidamente após correções recentes, reforçando a narrativa do ativo como alternativa de reserva de valor em momentos de maior instabilidade macroeconômica e geopolítica”, diz Wagner.
O que esperar do bitcoin?
No longo prazo, o otimismo com a criptomoeda permanece, sustentado por fundamentos estruturais, segundo o especialista da Hurst Capital. Matheus Gutierrez, analista da Levante Inside Corp, também mantém perspectiva positiva, especialmente diante do avanço da chamada lei CLARITY. A proposta busca estabelecer regras mais claras para o setor de ativos digitais, definindo as competências dos órgãos reguladores e ampliando a segurança jurídica para empresas e investidores.
“Caso a lei avance, a expectativa é de redução da incerteza regulatória, o que pode estimular a entrada de capital institucional e reforçar o movimento de alta no mercado de criptomoedas”, afirma Gutierrez.
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No curto prazo, porém, o cenário ainda inspira cautela. Segundo os analistas, a alta recente não é suficiente para reverter a tendência de queda observada desde outubro.
“Apesar da recuperação pontual, o movimento precisa de maior força compradora, rompimento de resistências relevantes e continuidade no volume para confirmar uma reversão mais consistente no gráfico. Até lá, o ambiente segue exigindo prudência dos investidores”, conclui Gutierrez.