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Auxílio para caminhoneiros não compensa com a alta da inflação

A inflação para o motorista é de 18,46% no acumulado de doze meses até outubro, a maior para a categoria em 21 anos

Por Luana Meneghetti Atualizado em 24 out 2021, 18h37 - Publicado em 22 out 2021, 11h37

Em meio a uma iminente paralisação agendada para o dia 1º de novembro, o presidente Jair Bolsonaro anunciou auxílio de 400 reais mensais para 750 mil caminhoneiros autônomos durante uma live na noite desta quinta-feira, 21. A proposta, no entanto, não foi bem recebida pela classe e foi rechaçada como “ridícula”. A inflação para o motorista é de 18,46% no acumulado de doze meses até outubro, a maior inflação para a categoria em 21 anos, segundo um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Dessa forma, a inflação para a categoria está 8 pontos percentuais acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acumula alta de 10,25% até setembro. Por isso, os caminhoneiros alegam que o preço de 400 reais não paga 100 litros de diesel. A média nacional do preço do diesel é de 5,033 reais, com o maior preço observado no Acre, onde a média é de 5,87 reais, de acordo com dados do Monitor dos Preços dos Combustíveis. Considerando o preço médio de 5,033 reais, o gasto com 100 litros já ultrapassa o valor do auxílio em 103,3 reais. Caminhoneiros autônomos dizem gastar em média 8 mil litros/mês, representando um gasto mensal de 40 mil reais só com combustível.  Representante da categoria dizem que “não querem esmolas” e que a proposta “só pode ser uma brincadeira”.

O preço de 5,033 está 23% acima da média histórica, iniciada em iniciada em 2012 pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na comparação com o salário mínimo, o diesel sofreu aumento de 10 pontos percentuais em dez anos, 36% em 2012, para 46% em 2021. Assim, um trabalhador gastaria quase metade de um salário mínimo para abastecer 100 litros.

Benefício

Durante a live, Bolsonaro disse que iria conceder o auxílio porque já é esperada uma nova alta no preço dos combustíveis. “A inflação é horrível, é péssimo, mas pior ainda é o desabastecimento”, disse. Bolsonaro não mencionou a fonte de recurso ou quando o benefício começará a ser pago.

O anúncio do auxílio aos caminhoneiros aconteceu em meio à demissão de secretários da equipe econômica após o governo admitir a necessidade de furar o teto de gastos para bancar o Auxílio Brasil, programa de transferência de renda que substitui o Bolsa Família. Em doze meses, o valor do auxílio aos caminhoneiros somará 3,6 bilhões de reais.

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