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Alta do combustível força Delta a cortar voos e elevar tarifas

Companhia projeta perda de US$ 2 bilhões e reajusta preços de bagagem para compensar disparada do querosene de aviação

Por Ernesto Neves 8 abr 2026, 11h38 • Atualizado em 8 abr 2026, 11h40
  • A Delta Air Lines anunciou cortes em sua malha aérea e aumentos nas tarifas de bagagem em meio à escalada dos preços do combustível causada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.

    A medida visa recuperar cerca de metade dos US$ 2 bilhões que a companhia projeta perder no trimestre devido à alta do querosene de aviação, que dobrou desde o início da guerra.

    Cortes de voos e ajustes de capacidade

    Entre abril e junho, a Delta planeja reduzir cerca de 3,5% de sua capacidade de passageiros, afetando principalmente rotas de menor demanda, voos noturnos e trechos intermediários.

    “Estamos tomando as medidas necessárias para proteger nossas margens e o fluxo de caixa”, disse o CEO Ed Bastian.

    A companhia é a primeira grande aérea dos EUA a detalhar seu posicionamento financeiro desde o início do conflito.

    Além disso, a empresa poderá adiar a entrega de novas aeronaves da Boeing e da Airbus se a guerra se prolongar, buscando preservar capital em um cenário de incerteza prolongada.

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    Reajuste de tarifas e bagagem

    Em paralelo aos cortes, a Delta elevou o preço da primeira bagagem despachada para US$ 45, a segunda para US$ 55, e a terceira para até US$ 200 — a primeira elevação doméstica desde 2024.

    Especialistas do setor afirmam que aumentos similares já estão sendo implementados por outras companhias norte-americanas, como United Airlines e JetBlue, diante do impacto recorde do combustível.

    Impacto da guerra no Irã sobre o combustível

    A escalada do conflito elevou os preços globais do petróleo e do querosene de aviação, pressionando margens e custos operacionais.

    O risco constante de interrupção no Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo, contribuiu para a volatilidade.

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    A Delta não realiza proteção financeira (hedge) contra flutuações de preços, tornando-se mais vulnerável a choques abruptos, ao contrário de concorrentes europeus e asiáticos.

    A companhia possui uma refinaria própria de combustível, capaz de gerar economia de cerca de US$ 300 milhões, mas ainda assim espera pagar aproximadamente US$ 4,30 por galão no trimestre, quase o dobro do valor pré-guerra.

    Consequências para passageiros e mercado aéreo

    Para os passageiros, a alta do combustível deve se traduzir em passagens mais caras e redução de voos diretos ou conexões em horários de menor procura.

    Ajustes na malha aérea e aumento de tarifas extras já começam a ser sentidos em mercados domésticos e internacionais, especialmente em regiões dependentes de importações de combustível refinado.

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    O setor global de aviação alerta que a normalização do fornecimento de querosene e dos preços não será rápida, podendo levar meses mesmo após cessar-fogos temporários.

    O recente anúncio de uma trégua de duas semanas entre EUA e Irã provocou queda de 15% nos preços do petróleo, mas os riscos de nova escalada permanecem elevados.

    Perspectiva financeira da Delta

    Entre janeiro e março, período tipicamente menos lucrativo, a Delta registrou prejuízo líquido de US$ 289 milhões, enquanto a receita cresceu 10%, chegando a US$ 15,9 bilhões.

    Para o próximo trimestre, a empresa projeta crescimento de receita na casa dos dígitos baixos, com margem operacional de 6 a 8%.

    A companhia optou por não atualizar sua orientação financeira anual, citando a incerteza em torno da evolução do conflito e da volatilidade dos preços do combustível.

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