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A queda do rebanho nos EUA e a oportunidade do Brasil

O desafio agora é estratégico segundo o colunista Gustavo Junqueira

Por Veruska Costa Donato 9 fev 2026, 12h09 •
  • O número de cabeças de gado nos Estados Unidos caiu para o menor nível em décadas — algo que não se via desde meados do século passado (1950). Hoje, são cerca de 86,2 milhões de animais, resultado de uma sequência de quedas desde 2019. Isso significa menos bezerros, menos gado jovem para engorda e um problema que não se resolve rápido. Reconstruir um rebanho leva tempo, coisa de cinco a sete anos, e o mercado já começa a sentir esse aperto na oferta.

    Quem chama atenção para esse cenário é Gustavo Junqueira, colunista da Veja e ex-secretário de Agricultura. “Os Estados Unidos estão no menor rebanho desde a década de 50. Isso tem feito com que você tenha uma menor oferta de bezerros e de gado novo”, afirmou. Com menos carne disponível, o país acaba priorizando o próprio mercado para tentar conter os preços — especialmente da carne moída, que já bate recordes.

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    Brasil no radar

    Esse movimento cria um vácuo lá fora. Como os EUA consomem boa parte do que produzem, sobra espaço em outros mercados internacionais. E é aí que o Brasil aparece como protagonista. “O Brasil vai ganhar onde vai ganhar numa abertura de outros mercados que os Estados Unidos vão ter que abrir mão”, explicou Junqueira. Hoje, o país responde por cerca de 25% do mercado global de carne, posição que tende a ficar ainda mais forte nesse novo arranjo.

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    Quase o triplo de cabeças

    A vantagem brasileira está no volume. Enquanto o rebanho americano encolhe, o Brasil conta com algo em torno de 240 milhões de cabeças — quase o triplo dos EUA. Essa escala permite atender grandes compradores, como a China, que absorve aproximadamente metade das exportações brasileiras. Mesmo com barreiras para entrar diretamente no mercado americano, como a tarifa de 26% após o esgotamento das cotas, o jogo principal está em outros destinos.

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    Desafio

    O desafio agora é estratégico. Junqueira lembra que 85% do abate nos EUA está concentrado em quatro empresas, duas delas brasileiras — JBS e Marfrig — o que mostra a força do Brasil na cadeia global. Mas o próximo passo vai além de produzir muito. “O Brasil precisa sair da produção de volume e entrar na categoria de guardião da segurança alimentar mundial”, disse. Em um cenário de preços mais altos e oferta restrita, quem tiver rastreabilidade, padrão ambiental e previsibilidade vai ganhar — e o Brasil tem tudo para ocupar esse espaço.

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