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‘A economia leva tempo para reagir’, diz Michel Temer sobre PIB

Em entrevista a VEJA, o ex-presidente afirma que os consecutivos dados de melhora da economia são fruto do avanço das reformas

Por Victor Irajá - Atualizado em 4 mar 2020, 14h04 - Publicado em 4 mar 2020, 13h07

Depois do descalabro econômico registrado durante os dois governos de Dilma Rousseff, o país voltou a crescer — timidamente, ressalte-se — desde a posse do ex-presidente Michel Temer. Quando assumiu o governo, em maio de 2016, Temer herdou um resultado de crescimento negativo do Produto Interno Bruto (PIB), em 3,5% no ano anterior, fruto da irresponsabilidade fiscal engendrada pela ex-mandatária.

Em entrevista a VEJA, o ex-presidente atribui o crescimento de 1,1% registrado no ano passado, como revelou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, nesta quarta-feira, 4, ao contínuo rearranjo das contas públicas, algo iniciado ainda sob sua gestão, e ao avanço nas discussões de reformas estruturantes. “A economia leva tempo para reagir, as coisas acontecem aos poucos. No ano de 2018, o número de empregos com carteira assinada subiu em mais de 500 mil vagas. É a prova de que a reforma trabalhista deu certo, mas na economia, os resultados demoram a aparecer”, afirma.

Os resultados do primeiro ano de mandato do presidente Jair Bolsonaro foram mais tímidos do que o primeiro ano completo de gestão do emedebista, em 2017, quando o país registrou um crescimento de 1,3% e igual ao apontado sob o segundo ano de governo de Temer, quando o país também cresceu 1,1%.

Para Temer, o avanço das reformas administrativa e tributária — que estão em xeque — são essenciais para o país conquistar dados robustos de avanço econômico. “Para dizer o óbvio, acho que as reformas são importantíssimas. A reforma administrativa toca na resistência corporativa, é uma pauta difícil de ser aprovada”, afirma o ex-presidente. Deputado por mais de vinte anos — ele assumiu a cadeira de presidente da Casa por duas vezes —, Michel Temer elenca as dificuldades de se encampar a proposta, fruto de pressões do funcionalismo. “As dificuldades desta matéria são similares às que encontrei durante a tramitação da reforma da Previdência”, afirma ele. “Tive que enfrentar um ano e meio de negociações no Congresso Nacional para convencê-lo e o presidente Jair Bolsonaro conseguiu aprovar. Ele, ressalte-se, sempre foi muito justo comigo, dando créditos à articulação que fizemos”, discorre o ex-presidente.

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Com a agenda econômica e política arruinada pela revelação de conversas com o empresário Joesley Batista, da JBS, em maio de 2017, o avanço das reformas — inclusive a previdenciária — subiu no telhado. Michel Temer, porém, afirma que trabalhava, junto a seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em propostas para mudar o sistema tributário brasileiro, projeto que, segundo ele, seria apresentado depois da aprovação da reforma previdenciária. “Não chamo de reforma tributária, mas simplificação tributária. É um projeto importantíssimo para o país, e íamos trabalhar nisso após a aprovação da reforma da Previdência”, diz ele. “O sistema de impostos é muito complexo, e precisamos de uma simplificação para atrair investimentos”, encerra.

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