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A bebida que abre portas e fecha negócios na China

Aguardente feita de sorgo é um dos símbolos nacionais chineses e costuma ser apreciada para "facilitar" as tratativas

Por Ricardo Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 25 mar 2023, 11h40 - Publicado em 25 mar 2023, 11h32

Empresários e executivos de grandes empresas que chegaram a Pequim para participar dos eventos de comércio bilateral, no âmbito da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à China, têm a expectativa de fechar bons negócios, enquanto estiverem no país. Para tanto, já preparam o bolso e o fígado.

É que no mundo dos negócios do gigante asiático, uma parte importante das tratativas é o relacionamento entre as duas partes, o famoso “guanxi”. A palavra quer dizer “relação”, em tradução livre, mas o seu significado mais preciso talvez seja “troca de favores”. Não importa o quanto a transação for vantajosa, se não houver um bom “guanxi”, nada de aperto de mão.

Por isso é comum, antes mesmo de sentar à mesa, o proponente do negócio oferecer um presente, como cartão de visita, em sinal de boa intenção e estima. Trata-se de uma prática milenar que retoma os tempos da China imperial e se mantém viva até hoje. Um dos agrados mais comum e apreciado é o Moutai, uma água ardente feita a partir do sorgo (um grão também conhecido no Brasil como milho zaburro).

Originária da Dinastia Qing, que governou a China por três séculos e só foi deposta em 1912, a bebida tem altíssimo teor alcoólico – cerca de 53% – e costuma ser apreciada por executivos de todo país. O destilado é tradicionalmente produzido na província de Ghuizoupor por uma empresa estatal, a Kweichow Moutai, que organizou os produtores depois da revolução comunista, em 1949.

Uma garrafa de apenas 500 ml não sai por menos de 2.500 reais, sendo um dos líquidos mais caros do mundo. Tamanho prestígio costuma acompanhar  as negociações, em outro hábito comum entre os chineses: embebedar seu interlocutor. “Você só ganha a confiança do chinês depois que toma um porre com ele”, diz um exportador brasileiro acostumado a  lidar com esse público.

Na mesa, costumam-se sentar um negociador e outros auxiliares, cujo objetivo é levantar brindes e “facilitar” os acordos. “É preciso tomar cuidado para não cair em ciladas. Levei uma garrafa de Moutai para o Brasil e minha mulher usava para tirar esmalte das unhas. Moutai é  mais forte do que acetona”, brinca outro influente empresário.

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