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Metade das empresas brasileiras não chega a 5 anos de existência, diz pesquisa

Falta de resiliência, ambiente econômico instável e questões tributárias e fiscais estão entre as principais causas para o fechamento de empresas

Por Leticia Yamakami Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 3 out 2024, 20h04 - Publicado em 3 out 2024, 20h00

Uma recente pesquisa da Unio Company, gestora de estruturação de negócios, mostrou que criar uma empresa e gerenciá-la no Brasil não é uma tarefa vista como fácil por empreendedores, independentemente do tamanho. De acordo com o levantamento, cerca de 50% das companhias no país não chegam a cinco anos de existência. Combinando dados próprios e de mercado, a gestora avalia os desafios enfrentados por empreendedores nos primeiros anos de operação como preocupantes.

Para Gustavo Didier, CEO da Unio Company, o número reflete as dificuldades pelas quais principalmente pequenos e médios negócios passam. “Muitas vezes, eles carecem de planejamento estratégico sólido, além de uma gestão financeira mais robusta”, explica. Outros pontos de tensão mencionados pelo CEO são o ambiente econômico instável e as barreiras estruturais do país, que contribuem para essa taxa. “Essa realidade está em consonância com dados oficiais e com o cenário mais amplo do empreendedorismo no Brasil”, afirma.

Mas, segundo a avaliação da Unio, o principal motivo pelo qual as empresas fracassam é a falta de tenacidade. “As empresas que têm sucesso são aquelas que estão dispostas a abraçar desafios, inovar e, acima de tudo, manter um planejamento consistente de longo prazo”, reforça o CEO. A capacidade de enfrentar desafios de forma persistente é entendida como um dos recursos mais essenciais para destravar o potencial do negócio e levá-lo adiante. Ainda de acordo com a análise da companhia, soma-se a este problema o cenário econômico brasileiro frequentemente instável e questões tributárias e fiscais.

Gustavo Didier avalia que o sistema tributário brasileiro é extremamente complexo e tem uma alta carga de impostos, o que torna a gestão fiscal um verdadeiro desafio para pequenos e médios empresários. Além dos tributos em si, a burocracia envolvida no cumprimento de obrigações fiscais é pesada e consome recursos que poderiam ser melhor utilizados em áreas como inovação e crescimento. “Muitas empresas, especialmente as que operam em setores mais frágeis, acabam não conseguindo equilibrar suas finanças e enfrentam dificuldades para sobreviver a longo prazo”, ressalta o CEO.

As especificidades de alguns setores também contribuem para as instabilidades das empresas em seus primeiros cinco anos. O comércio varejista é um dos exemplos, tendo em vista a vulnerabilidade de um segmento em que as companhias enfrentam problemas de gestão de estoque e fluxo de caixa, bem como uma alta concorrência. No mesmo sentido, negócios que dependem diretamente do consumo imediato, caso de bares e restaurantes, estão entre os mais afetados em razão do elemento da sazonalidade e as curtas margens de lucro, segundo a pesquisa da Unio.

Para Didier, a sobrevivência e o crescimento dos negócios depende de uma combinação de inúmeros fatores, já que o comportamento resiliente do empreendedor e a capacidade de navegação em um ambiente tributário complexo também entram na tão procurada equação do sucesso. “Quando olhamos para mercados internacionais, como os Estados Unidos, aproximadamente 45% das empresas também não chegam ao quinto ano de vida”, aponta. “O dado semelhante ao brasileiro indica que, apesar de diferenças nos ambientes regulatórios e econômicos, o desafio de manter uma empresa de pé e competitiva é global.”

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