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Real Estate

Por Renata Firpo
Grandes negócios e tendências do mercado imobiliário. Renata Firpo é publicitária, consultora imobiliária e advogada pós-graduada em Direito imobiliário
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1 milhão de reais por um apartamento de 26,5 metros quadrados

Estúdios construídos nas grandes cidades são cada vez menores, enquanto os preços desses imóveis só aumentam

Por Renata Firpo
Atualizado em 18 abr 2023, 13h11 - Publicado em 18 abr 2023, 09h30

Veio do Japão a ideia de construir microapartamentos para oferecer opções de moradia mais baratas em áreas muito valorizadas das grandes cidades. Em metrópoles como Tóquio, o conceito foi elevado ao extremo, dando origem a endereços com menos de 10 metros quadrados. Sim, isso mesmo, acredite! Como ocorre com várias outras modas, o que faz sucesso no exterior acaba sendo copiado no Brasil. Nas últimas décadas, surgiram por aqui empreendimentos com essas características em capitais como São Paulo, ou seja, uma área mínima, com móveis e até a cama embutidos no espaço, com apoio de serviços compartilhados no condomínio.

Os estúdios se popularizaram em São Paulo e atraíram a atenção dos investidores, que apostaram em uma opção de residência temporária, competindo com a malha hoteleira da cidade, tendo potencial para oferecer um bom retorno em locações. Os microapartamentos também se encaixaram no bolso e na realidade dos solteiros e estudantes, já que muitos empreendimentos foram construídos próximos a estações de metrô e faculdades. No ano passado, os apartamentos residenciais de até 45 metros quadrados foram responsáveis por metade dos lançamentos imobiliários em São Paulo, alavancando também o faturamento das construtoras, que levantaram mais unidades com menos investimentos financeiros.

Nesse processo de tropicalização da invenção japonesa, no entanto, aos poucos, os incorporadores brasileiros acabaram desvirtuando a fórmula original. Na direção contrária dos espaços, que foram ficando cada vez menores por aqui, os preços desses empreendimentos aumentaram absurdamente. Resultado: um estúdio de 26,5 metros quadrados no Itaim Bibi, bairro valorizado da Zona Oeste de São Paulo, chega a custar hoje 1 milhão de reais e não tem nem garagem. Deve ter incorporador por aí justificando o absurdo dizendo que é um incentivo para o proprietário “desapegar” do automóvel. Embarca nesse argumento furado quem quiser – e que demonstra também algum desapego por seu próprio dinheiro.  Afinal, com 1 milhão de reais é possível comprar um apartamento bem maior e com espaço suficiente para uma família morar.

No caso de São Paulo, justamente o epicentro do fenômeno, o poder público pode ter determinado o fim da era desses microapartamentos. O Estatuto da Cidade (Lei n. 10.257/2001) determina que, pelo menos a cada dez anos, os planos diretores devam ser revistos. O último foi aprovado em 2014, na gestão de Fernando Haddad (PT). No final de março, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), concluiu a revisão intermediária do Plano Diretor Estratégico (PDE) e entregou à Câmara o projeto de lei com ajustes propostos para o atual PDE. As mudanças buscaram priorizar a ocupação da cidade de acordo com a rede de transporte coletivo, e o maior impacto para o mercado imobiliário é a permissão para a construção de prédios até 50% maiores do que os limites atuais em determinadas regiões da cidade, com unidades voltadas para famílias de baixa renda. Essa medida deve reduzir os preços dos lançamentos imobiliários e frear a construção de estúdios nas áreas mais valorizadas da capital. Com isso, dificilmente chegaremos aos atuais recordes japoneses de ocupação de espaço.

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