Vale: prejuízo bilionário e a dúvida — é hora de comprar?
Resposta do mercado, por ora, é cautelosa
A Vale fechou o quarto trimestre com um número que assusta à primeira vista: prejuízo líquido de 23 bilhões de reais. A explicação, porém, está menos no dia a dia da operação e mais na contabilidade — foram baixas relacionadas a ativos de níquel e cobre em minas no Canadá. Quando se olha para o que realmente entra de dinheiro na empresa, o retrato muda: o EBITDA ficou em torno de 5 bilhões de dólares, cerca de 5% acima das projeções de analistas da XP e da Genial.
O problema mora fora dos portões da companhia. A China, principal compradora do minério de ferro brasileiro, segue com a economia desaquecida, o que mantém os preços da commodity pressionados — houve recuo recente de 2,3% na bolsa chinesa. Sem uma retomada mais consistente por lá, o fôlego das ações fica limitado. É verdade que os papéis da Vale subiram cerca de 18% no último mês, mas analistas atribuem esse movimento muito mais ao fluxo de capital estrangeiro entrando no Ibovespa do que a uma melhora estrutural da empresa.
E então, está ou não na hora de comprar? A resposta do mercado, por ora, é cautelosa: a recomendação predominante é neutra. Muitos gestores avaliam que o preço atual já embute boa parte das expectativas positivas e consideram o papel “caro” diante das incertezas sobre a China e o minério. Para o investidor, talvez o momento seja menos de empolgação e mais de paciência.





