Mercado ansioso para desfecho Irã x EUA
Declarações de 'conversas positivas' trouxeram alívio - Veja mais no programa Mercado
Era noite em Genebra quando as delegações de Irã e Estados Unidos deixaram o local das conversas. Do lado americano, silêncio absoluto. Do lado iraniano, recado calculado. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, classificou o encontro como “uma das sessões mais sérias e prolongadas” até aqui, com “progresso significativo em algumas questões”. Disse ainda que uma nova rodada pode ocorrer “muito em breve, talvez na próxima semana”, enquanto técnicos se reúnem a partir de segunda-feira, em Viena, com apoio de especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica, para desenhar a espinha dorsal de um eventual acordo — que, segundo ele, precisa respeitar as “demandas políticas” do Irã.
Do lado de Washington, a exigência continua clara: além do programa nuclear, o pacote precisa incluir o programa de mísseis balísticos e o fim do apoio iraniano a grupos armados na região. É aí que mora o impasse. O mercado sabe que não se trata apenas de centrífugas e inspeções, mas de segurança regional, influência geopolítica e, claro, petróleo. Traduzindo: qualquer sinal de acordo mexe com energia, dólar e humor global.
O economista João Duarte (One Investimentos) resumiu o clima: investidores ficaram em compasso de espera, com leve suporte defensivo ao dólar, mas sem fuga relevante de risco. Já o analista Felipe Cima (Manchester Investimentos) destacou a volatilidade no petróleo. “O mercado está bastante ansioso com o resultado das negociações”, afirmou. Segundo ele, o ponto sensível é o programa de mísseis balísticos. “Ainda assim, o Irã teria que apresentar uma garantia firme de que não vai investir em programas de armas nucleares.” Em outras palavras, há conversa — e até avanço — mas confiança, essa ainda está em construção.







