O e-commerce brasileiro começa a dar sinais claros de maturidade — e isso aparece nos números. Segundo Thoran Rodrigues, CEO da Big Data Corp, o país tem hoje 2,1 milhões de lojas online, cerca de 140 mil a menos do que há dois anos. “Essa queda não é negativa, ela mostra uma estabilização depois de um crescimento muito acelerado”, explica. O setor, que cresceu sete vezes desde 2013, agora entra em uma fase mais seletiva, com menos aventureiros e mais operação estruturada.
Na prática, isso significa um mercado mais profissional. Muitas lojas abertas no impulso da pandemia ficaram pelo caminho, enquanto as que seguem ativas oferecem mais serviço e menos improviso. E há uma mudança importante na forma de vender: as redes sociais deixaram de ser apenas canal de atendimento e viraram vitrine e caixa. “Hoje são canais ativos de anúncio e venda”, diz Rodrigues, destacando o avanço de vídeos em plataformas como YouTube, TikTok e Instagram como motores dessa transformação.
Ao mesmo tempo, os marketplaces seguem como peça central dessa engrenagem. Grandes plataformas concentram audiência e funcionam como porta de entrada mais barata para novos clientes, o que explica a adesão em massa dos lojistas. Ainda assim, há espaço fora desse ecossistema: “As lojas de nicho conseguem sobreviver bem, porque oferecem algo muito específico”, afirma. No horizonte, tecnologias como inteligência artificial e vendas diretas por vídeo podem mexer nesse jogo — mas, por ora, a regra é clara: o e-commerce cresce menos, pensa mais e escolhe melhor onde jogar.





