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Auxílio emergencial pode ir até junho de 2021

Governo abandona cantilena das reformas para adotar lema 'dinheiro na veia'

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Larissa Quintino Atualizado em 4 mar 2021, 16h56 - Publicado em 7 out 2020, 10h27

Já tem algumas semanas que quem se reúne com o ministro da Economia, Paulo Guedes, notou algo diferente em seu discurso. Ao invés de continuar pregando a importância da aprovação das reformas, como a tributária e a administrativa, ele tem adotado um novo lema: “dinheiro na veia“. É a forma de Guedes falar para parlamentares e outros ministros que o importa agora é manter a renda da população por meio de programas assistenciais, como o auxílio emergencial e o Renda Cidadã — o substituto do Bolsa Família. A ordem veio de Jair Bolsonaro.

O presidente não acredita mais haver tempo hábil para votar qualquer reforma este ano e, para não deixar desassistidos 38 milhões de brasileiros, quer uma solução imediata para manter a renda da população. Daí surgem ideias amalucadas, como a utilização de precatórios, cortar abono salarial, entre outras. Agora, sem alternativas, o governo vai tentar estender o auxílio emergencial até março de 2021 — inicialmente. Caso o país não tenha se recolocado nos trilhos do crescimento, pode ir até junho do próximo ano. Bolsonaro deixou extremamente claro para a equipe econômica este ponto: se a renda cair abruptamente, governo continuará amparando o grupo de pessoas que responde pela maior parte de sua popularidade.

O gasto será alto, contudo. Quando o auxílio entregava 600 reais por mês, o custo do programa era de 50 bilhões de reais mensais. Quando o governo estendeu até o fim do ano, com limite de 300 reais, também fechou a torneira dos cadastros, limando algumas pessoas que recebiam anteriormente. Agora, o custo, segundo o Tesouro, é de 67 bilhões de reais entre setembro e dezembro deste ano — 16,75 bilhões de reais mensais. Ou seja, caso vá até junho de 2021 nos moldes dos pagamentos atuais, o governo gastará cerca de 100,5 bilhões de reais para manter o auxílio emergencial.

Atualização 13h30 — Após a publicação, o ministro da Economia, Paulo Guedes, negou que o auxílio emergencial será prorrogado. Ele também disse que o Estado de Calamidade também não será estendido. Ambos se encerram no fim deste ano.

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