Açaí, café e cacau: o que a China quer do Brasil
Há espaço — e demanda — para produtos com valor agregado
A China já não aceita mais o rótulo de “fábrica do mundo” — e isso muda a relação com o Brasil. Quem chama a atenção para essa virada é Théo Paul Santana, especialista em negócios Brasil-China e fundador do Destino China, em entrevista ao programa Mercado. Segundo ele, desde meados da década passada os chineses deixaram de focar só em preço baixo e passaram a investir pesado em qualidade, design e velocidade. O resultado? Marcas próprias que hoje ditam tendências globais — inclusive no Brasil, onde carros chineses já circulam sem pedir licença.
Na prática, a China fez um movimento parecido com o do Japão no pós-guerra: saiu da imagem de copiadora para referência em inovação. “As marcas chinesas não estão mais tentando imitar o Ocidente, elas estão criando”, resume Santana. Tanto que, agora, são empresas europeias e americanas que estudam o modelo chinês para continuar relevantes. Um detalhe importante nessa equação é a rapidez: o empresário chinês testa, ajusta e lança em um ritmo que ainda assusta quem está acostumado a decisões mais lentas.
E onde entra o Brasil nessa história? Ainda muito preso às commodities, diz Santana. Soja e minério seguem importantes, mas não suficientes. Há espaço — e demanda — para produtos com valor agregado e história: cafés especiais, chocolates premium feitos com cacau da Bahia e do Pará, açaí industrializado, castanha-do-pará.





