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Murillo de Aragão

Por Murillo de Aragão
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Os não engajados definirão

Embora às vezes pareça, nada está decidido ainda

Por Murillo de Aragão Atualizado em 4 jun 2024, 12h09 - Publicado em 17 set 2022, 08h00

Uma pergunta recorrente nas últimas semanas se refere à assimetria entre as percepções provocadas pelas mobilizações políticas no país e as captadas nas pesquisas eleitorais de intenção de voto à Presidência. As manifestações de 7 de setembro mostraram multidões apoiando o presidente Bolsonaro. Suas motociatas também mobilizam multidões Brasil afora. Já os eventos de Lula são magros de audiência. Indo direto ao ponto: muitos perguntam por que o presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo lugar nas pesquisas, consegue reunir multidões, enquanto seu oponente direto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), primeiro lugar nas pesquisas, não consegue mobilizar seus adeptos.

Estas eleições apresentam um fenômeno peculiar: o apoio desmobilizado, aquele que se materializa na preferência do eleitor nas pesquisas, mas não se expressa em mobilizações expressivas. É o caso de Lula, que lidera a corrida pela vaga no Palácio do Planalto, mas sem massas nas ruas. Já Bolsonaro, mesmo sem liderar a disputa, atrai expressivo contingente a seus eventos políticos. O que representa essa situação? A maioria dos que apoiam Lula não está, até agora, disposta a mostrar seu apoio nas ruas. Duas razões podem ser invocadas: a certeza de que ele vai vencer e o fato de que Lula seria, para eles, o “mal menor”. Parte significativa do eleitorado apoia Lula mais por não gostar de Bolsonaro do que pelas virtudes do ex-presidente. Sem empolgação, parcela significativa do eleitorado aponta Lula mais como uma rejeição ao outro postulante do que como opção afirmativa.

“Esta eleição apresenta um fenômeno peculiar: o apoio desmobilizado, que se materializa nas pesquisas”

Mas e Bolsonaro? Embora em segundo lugar no páreo, ele consegue mobilizar seus seguidores, que o prestigiam e comparecem quando convocados. Esse contingente, no entanto, mal alcança nichos importantes, como as classes D e E, os nordestinos e as mulheres. O “core” de seu suporte é mais engajado, sem dúvida, mas, por outro lado, não avança rumo a públicos não bolsonaristas. Bolsonaro não lidera a campanha por falta de apoio dos centristas e dos “isentões”, que deram a ele a vitória em 2018.

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A essa altura dos acontecimentos, o favoritismo é de Lula porque o ex-presidente ocupou o centro político em primeiro lugar. Mais por causa dos erros de Bolsonaro de se distanciar de parte relevante do eleitorado que o elegeu do que por mérito do ex-presidente. Temos até agora uma eleição de afirmações negativas. O ponteiro lidera por rejeição ao segundo lugar. E o que está em segundo lugar não consegue, até agora, convencer de suas virtudes. Em eleições de dois turnos prevalece a tendência de se votar no menos ruim. É o que está se desenhando, já que os “isentões” e centristas não conseguiram identificar um candidato que pudesse encarnar seus sentimentos.

O resultado que se desenha mostra que o Brasil gosta da polarização posta e não acredita em uma solução intermediária. Nunca houve, até agora, manifestação consistente nessa direção. Como se trata de uma campanha amparada na rejeição, já que as virtudes de cada um dos ponteiros parecem não ser o fator preferencial para as escolhas dos eleitores, quem errar menos leva. Mas, por incrível que pareça, nada está definido. Eleição e mineração só depois da apuração, como dizem em Minas Gerais.

Publicado em VEJA de 21 de setembro de 2022, edição nº 2807

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