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Maílson da Nóbrega Por Coluna Blog do economista Maílson da Nóbrega: política, economia e história

PIB cresceu 4,6% em 2021, mas este ano deve estagnar ou cair

O crescimento de 2021 reflete a comparação com uma base deprimida; para 2022, problemas estruturais e uma conjuntura adversa sinalizam mediocridade

Por Maílson da Nóbrega Atualizado em 4 mar 2022, 09h42 - Publicado em 4 mar 2022, 09h36

Dessazonalizado, o PIB do quarto trimestre de 2021 expandiu-se 1,6% comparado ao mesmo período do ano anterior. Pela mesma métrica, subiu 0,5%. em relação ao terceiro trimestre. O desempenho da economia no ano passado — que cresceu 4,6% — refletiu em grande parte a recuperação da queda observada no exercício precedente (-3,9%). Pelo lado da oferta, o destaque do quarto trimestre coube à agropecuária, que cresceu 5,8%, em termos dessazonalizados. Em boa parte, isso decorreu de uma base de comparação reduzida no segundo e no terceiro trimestres, em decorrência de eventos climáticos. Além disso, o segmento beneficiou-se da regularização das exportações de carne bovina para a China no quarto trimestre e da maior disponibilidade de bovinos para abate, que havia sido reduzida diante das dificuldades de acesso ao mercado chinês.

O destaque negativo adveio da indústria, que caiu 1,3% no quarto trimestre, em relação ao mesmo período de 2020. O resultado foi ainda pior na indústria de transformação: declínio de 6,9%. O setor manufatureiro continua sofrendo os efeitos de causas estruturais: queda da produtividade, deficiências de infraestrutura, logística deficiente, sistema tributário caótico, baixa qualificação da mão de obra e reduzido estímulo à inovação, principalmente pelo alto grau de fechamento da economia. Além disso, a indústria de transformação foi prejudicada por condições desfavoráveis da conjuntura econômica: aumento de preços de energia, elevação dos juros, queda da demanda gerada pela inflação e custos mais altos decorrentes de problemas provocados pela pandemia nas cadeias mundiais de suprimento e no preço dos fretes, que quintuplicaram.

Os serviços cresceram 0,5% no quarto trimestre sobre o terceiro, igualmente em termos dessazonalizados. No acumulado do ano, o setor se expandiu 4,7%, beneficiado pela redução dos efeitos negativos da pandemia, o que permitiu a retomada de serviços presenciais nos setores privado e público (administração, saúde e educação), que, somados, representam 50% do valor agregado do setor e 35% do PIB total. O setor ganhou também com a reversão da migração de serviços para bens nos momentos em que as regras de isolamento fizeram cair a mobilidade social. 

Para 2022, tudo indica que teremos mais um ano difícil. O PIB deve estagnar, podendo exibir desempenho negativo, inclusive pelos efeitos da guerra na Ucrânia, que, dependendo de sua duração, acarretará elevação dos preços de commodities, particularmente do petróleo (que pode chegar aos 150 dólares por barril) e continuidade de problemas na cadeia mundial de suprimentos. A situação somente não será pior por causa de uma expansão de 0,7% dos serviços, que serão beneficiados pela melhora do panorama da Covid-19. A agropecuária pode crescer 1,4%, dado que estará sujeito a revisão para baixo diante da perspectiva de continuidade de problemas climáticos ao longo do ano. A indústria permanecerá enfrentando os problemas estruturais mencionados e os efeitos de uma conjunta econômica adversa, devendo cair 1,5% neste exercício. 

O Brasil continuará prisioneiro da armadilha do baixo crescimento em 2022.

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