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Por Coluna
Blog do economista Maílson da Nóbrega: política, economia e história
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Desastrada intervenção

O impacto da interferência na Petrobras será duradouro

Por Maílson da Nóbrega
Atualizado em 26 fev 2021, 09h41 - Publicado em 26 fev 2021, 06h00

A demissão do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, escancarou uma realidade: Jair Bolsonaro não é um liberal. O ministro da Economia, Paulo Guedes, imaginava ter convertido o capitão ao seu credo. Pura ingenuidade. Castello Branco saiu porque os preços dos combustíveis estavam “errados”, no dizer do presidente.

Bolsonaro buscou vender uma versão edulcorada de seu ato. Como o mandato de Castello Branco venceria em março deste ano, a decisão não foi demiti-lo, mas negar-lhe mais dois anos à frente da empresa. Não colou.

Executivos costumam ser reeleitos quando seu desempenho é bom. Era o caso, na avaliação de quem acompanha a gestão da Petrobras. Na pauta da reunião do conselho de administração, marcada para o dia 23 de fevereiro, estava a renovação do mandato do presidente da estatal.

O reajuste dos combustíveis, como estabelecido corretamente na política de preços da Petrobras, leva em conta as cotações internacionais do petróleo e do dólar ante ao real. Há quem defenda que o correto seria considerar os custos domésticos de extração do petróleo.

Parece lógico, mas é equivocado. No mundo, commodities são comercializadas com base nos preços em mercados globais. É assim também com soja, milho, carne, aves, minério de ferro e outros produtos. Em tais casos, a adoção desse disparatado modelo geraria enormes distorções.

A intervenção provocou uma queda de bilhões de reais no valor de mercado da Petrobras. Isso pode ser recuperado, mas há, infelizmente, danos duradouros.

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“A imagem do Brasil, desgastada pelo atual governo na área ambiental e na pandemia, tende a piorar”

Por muito tempo, participantes do mercado terão receio em adquirir ações da Petrobras e de outras estatais. Pode arrefecer o ânimo dos que têm interesse em participar de leilões de concessão de saneamento básico e de outras áreas de infraestrutura. Como confiar que as regras sobre o preço dos serviços não serão violadas pelo poder concedente, influenciado pelas visões de mundo do iliberal Bolsonaro?

A imagem do Brasil, desgastada pelo desempenho do atual governo na área ambiental e na pandemia, tende a piorar.

O destaque que a demissão ganhou na imprensa estrangeira pode esmaecer o entusiasmo de investidores que acreditaram no programa de transformações estruturais, abertura da economia e modernização prometidas por Guedes.

Claro, isso pode mudar para melhor se advierem novas e adequadas atitudes dos governantes, mas vai demandar tempo e talvez outra administração.

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O presidente indicado para a Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna, precisa torcer para que ocorra queda nas cotações do petróleo e do dólar.

Se subirem e tiver sido mantida a atual política da Petrobras, o general será obrigado a autorizar a elevação dos preços dos derivados de petróleo. Poderia perder o cargo, a depender do humor de Bolsonaro. Se preferir ter “sensibilidade”, como disse em entrevista, imporá prejuízos à empresa e, depois, ao Tesouro, que pela lei das estatais terá de cobrir o prejuízo.

A conta virá para todos os brasileiros.

Publicado em VEJA de 3 de março de 2021, edição nº 2727

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