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Notícias e análises sobre economia política internacional e comércio exterior

Frente marítimo dispara com tensões entre EUA e Irã

O aumento do custo do frete revela como a crise no Golfo Pérsico afeta a economia global muito além do petróleo

Por Diogo Schelp Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 fev 2026, 11h20 • Atualizado em 28 fev 2026, 09h06
  • O custo do frete de navios-tanques no percurso entre o Oriente Médio e a China para contratos fechados nesta quinta-feira, 27, disparou para o seu maior nível em seis anos, ultrapassando a marca de 200.000 dólares por dia. A informação é da agência de notícias Reuters. A alta foi consequência direta da resistência do Irã às pressões do governo americano para que os aiatolás deem garantias de que não estão avançando com um programa nuclear para fins bélicos. Quando há um aumento no frete marítimo na região, corre-se o risco de um efeito cascata no custo do transporte por grandes cargueiros em todo o mundo. Essa é uma das consequências econômicas pouco mencionadas das tensões entre Estados Unidos e Irã (a outra é a alta no preço do petróleo).

    Com a possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra o Irã — e que se tornaram realidade com o ataque realizado neste sábado, 28 — compradores de combustíveis fósseis da Ásia intensificaram as encomendas do Oriente Médio para fazer estoques. Quando se trata de petróleo e gás, muitos países e empresas não brincam com armazenagem sob demanda quando há risco de interrupção no fornecimento.

    Fala-se muito na possibilidade do Irã fechar o Estreito de Ormuz, que dá acesso ao Golfo Pérsico e, portanto, aos principais portos de escoamento de petróleo e gás do Oriente Médio, em retaliação aos ataques americanos e israelenses. Por ali passam 20% da exportação de combustíveis fósseis do mundo, o equivalente a 500 bilhões de dólares por ano. O principal destino é a China, uma aliada do Irã.

    Por isso, mas também por questões práticas, é improvável que o fechamento completo do Estreito realmente aconteça, mesmo em caso de guerra. O problema real é que a rota se torna perigosa para os navios, o que eleva os seguros e contribui para elevar o custo do frete.

    O economista Roberto Dumas Damas explica que, além do risco de se navegar pelo Estreito de Ormuz em tempos de escaramuças militares, o Irã pode usar milícias houthis do Iêmen para prejudicar o trânsito de navios no Mar Vermelho, que dá acesso ao Canal de Suez e é uma rota alternativa, inclusive para a Arábia Saudita, para escoamento de petróleo do Oriente Médio. Pelo Canal de Suez passa nada menos que 15% do comércio marítimo global.

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    Petróleo mais caro, transporte global mais caro. “A grande moeda de troca do Irã é a possibilidade de exportar inflação”, diz Bernardo Assumpção, CEO da gestora de investimentos Arton Advisors.

    Depois de bater os tambores da guerra com força nas últimas semanas, Trump deu sinais de que deixaria a porta da diplomacia aberta para resolver o impasse com o Irã. As negociações dos últimos dias haviam terminado com um acordo para uma nova fase de conversas indiretas (com intermediários europeus) na semana que vem. Fica claro agora que se tratou apenas de uma tática para não telegrafar o próximo: um fim de semana com bombardeios de diversos alvo no país.

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