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Alexandre Schwartsman

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Economista, ex-diretor do Banco Central

O ilusionista

A tosca mágica do orçamento federal

Por Alexandre Schwartsman 28 nov 2025, 06h00 • Atualizado em 28 nov 2025, 12h26
  • O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, deve estar convencido de que fala para idiotas. Não uso o termo de maneira leviana: só quem acredita que seu interlocutor é incapaz de notar truques que deixariam um pretendente a mágico de 8 anos de idade encabulado poderia repetir as afirmações de Durigan. Segundo o secretário, o atual governo “promoveu o maior ajuste fiscal dos últimos trinta anos, combinando aumento de receitas com contenção de despesas”, notando que, pelo critério do Tesouro Nacional, o ajuste teria sido equivalente a 1,7 ponto percentual do PIB entre 2023 e 2024.

    O secretário omite, porém, que o resultado de 2023 foi afetado pelo pagamento, em dezembro daquele ano, de cerca de 90 bilhões de reais em precatórios, evento que não se repetiu nos demais. Fazendo a comparação correta, isto é, partindo do resultado obtido em 2022, um modesto superávit de 0,5% do PIB, o que se observa é uma piora no resultado equivalente a 0,8% do PIB. E isso sem contar o que nos espera em 2025.

    O “maior ajuste fiscal em trinta anos” representou, na verdade, deterioração considerável das contas federais. Diga-se, aliás, toda ela resultante de aumento da despesa pública, já que, apesar da voracidade fiscal do governo, as receitas não crescem o suficiente para bancar o gasto em expansão. Não por outro motivo, a dívida pública, 72% do PIB em dezembro de 2022, superou 78% do PIB em setembro de 2025, bem acima das projeções do Ministério da Fazenda quando da criação do “arcabouço fiscal”, e deve continuar a subir até onde a vista alcança.

    “O ‘maior ajuste fiscal dos últimos trinta anos’ é, na verdade, deterioração das contas federais”

    Nesse contexto, devemos ficar ainda mais preocupados quando o secretário promete “para 2026 o primeiro superávit primário em muitos anos”. De fato, o Projeto de Lei Orçamentária para 2026 não indica contas no azul, muito pelo contrário. De acordo com os números lá apresentados, portanto, vindos da equipe econômica, o resultado no ano que vem seria deficitário em cerca de 23 bilhões de reais (nas nossas contas duas a três vezes maior do que isso, mas fiquemos com os dados oficiais).

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    O suposto “superávit” mencionado pelo impávido secretário a bem da verdade se refere ao resultado observado deduzidos gastos de aproximadamente 58 bilhões de reais à época, com duas importantes ressalvas. A primeira é que, de lá para cá, a lista dos gastos a serem abatidos do resultado do Tesouro só cresceu: despesas com rearmamento das forças militares e, a progredir a proposta do ministro da Justiça, também as relativas à segurança.

    Em segundo lugar, é provável que o governo faça o mesmo que deve fazer neste ano e acabe mirando no limite inferior da meta fiscal, o que, nas palavras de Durigan, ocorreu “não sem muito trabalho”. Só não imagino a alternativa para conseguir dormir à noite.

    Dito de outra forma, o governo assegura cumprir seu objetivo, mas, na prática, não chega nem perto de entregar o que prometeu. Trata-se de prestidigitação praticada à frente de uma audiência que, no entender do ilusionista em questão, deve aplaudir quando ele retirar o coelho da cartola, apesar de termos todos visto o dito-cujo sendo colocado nela.

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    Há muito deixou de ser uma questão de economia, ou mesmo contabilidade pública básica; é apenas falta de respeito com a inteligência alheia.

    Publicado em VEJA de 28 de novembro de 2025, edição nº 2972

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