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Alexandre Schwartsman

Economista, ex-diretor do Banco Central
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Mais alto fora, menos baixo aqui

A perspectiva de juros mais elevados nos EUA impõe limites ao BC

Por Alexandre Schwartsman Atualizado em 9 Maio 2024, 15h12 - Publicado em 3 Maio 2024, 06h00

Os desenvolvimentos das últimas semanas sugerem que, ao contrário do que muitos esperavam no fim do ano passado e no começo deste ano, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve ser bem mais comedido quanto à redução de sua taxa básica de juros, a Fed Funds Rate (FFR).

Muito embora os membros do comitê de política monetária tenham acenado no fim de 2023 com a perspectiva de três reduções da FFR, que a levariam do atual intervalo 5,25-5,50% ao ano para 4,50-4,75% ao ano no fim de 2024, o mercado de renda fixa por lá chegou a apostar em cinco ou seis quedas de 0,25 ponto porcentual.

Todavia, a resistência da inflação à queda, provavelmente resultado de uma economia ainda bastante aquecida, acabou levando a uma revisão considerável. Neste momento, o cenário mais provável aponta para apenas um corte (com sorte, dois).

Apesar disso, o BC brasileiro ainda sinaliza a continuidade de seu processo de redução da Selic. Até que ponto, pergunta-se, um ambiente de juro mais alto nos EUA pode limitar a ação do Copom? Como lembrado repetidas vezes pelo próprio BC, não há uma ligação automática entre o juro americano e o local, o que não quer dizer que não haja impacto sobre outras variáveis que possam acabar afetando em algum grau a decisão sobre a taxa de juros. O canal mais relevante é a cotação do dólar. O juro mais alto nos EUA afeta o dólar no Brasil por dois mecanismos similares.

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“Dada a valorização do dólar, não devemos nos surpreender se o BC previr inflação mais alta em 2025”

Um deles é a diferença entre o juro local e o internacional. Quanto mais positiva for a diferença, maior é a tendência de que o real ganhe valor ante o dólar, pois tal diferença estimula ingressos de capitais, barateando a moeda estrangeira. No caso, porém, a perspectiva de juros mais altos no exterior reduz a diferença, tornando o dólar mais caro.

O que é verdade na relação entre o Brasil e os EUA também é verdade no caso dos demais países. Um mundo de juro americano alto leva tipicamente à valorização do dólar frente às moedas internacionais, como o euro e o iene. Ocorre que as variações do dólar ante as moedas dos países desenvolvidos tendem a se replicar por aqui, em alguma medida. Assim, quando o dólar ganha terreno contra, por exemplo, o euro, ele tende também a ficar mais caro por aqui, independentemente da diferença dos juros brasileiro e americano.

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O encarecimento do dólar no período mais recente está, portanto, intimamente ligado à mudança esperada da postura do Fed em termos da definição da FFR. Isso significa que os preços dos bens que importamos e exportamos tendem a subir, de modo a se alinhar aos preços internacionais corrigidos por um dólar mais caro, com algum impacto sobre a inflação, seja porque tais preços subirão mais rapidamente, seja porque cairão mais lentamente.

Dado isso, não devemos nos surpreender caso o BC na próxima semana eleve suas perspectivas de inflação para 2025. Não deve, é bom que se diga, levar à interrupção do ciclo de redução de juros, mas seu ritmo deve cair já agora em maio e a taxa terminal do ciclo, que se esperava atingir 9% ao ano, deve ficar na vizinhança de 10%.

Culpa do Fed, mas também de nossos problemas.

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Publicado em VEJA de 3 de maio de 2024, edição nº 2891

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