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Alexandre Schwartsman

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Economista, ex-diretor do Banco Central

Fim de festa

A desaceleração do crescimento desnuda os limites do modelo

Por Alexandre Schwartsman 6 mar 2026, 06h00 • Atualizado em 6 mar 2026, 13h23
  • A economia cresceu 2,3% no ano passado, segundo dados recém-publicados pelo IBGE. Embora seja o resultado mais fraco desde 2020, em condições normais esse ritmo de expansão não seria considerado particularmente ruim, ainda mais à luz do histórico do país. Todavia, um exame algo mais detalhado dos números sugere que não tratamos exatamente de condições normais.

    Há, para começar, um padrão claro de desaceleração. Na primeira metade do ano, impulsionada pelo desempenho da agricultura, a economia cresceu bem. Na segunda metade, porém, a melhor descrição é estagnação: o PIB cresceu 0,0% no terceiro trimestre e 0,1% no quarto, desempenho que poucos descreveriam como empolgante.

    Em segundo lugar, a composição do crescimento aponta para um quadro mais delicado do que o número cheio poderia indicar. A demanda interna, que em 2024 cresceu 4,7%, no ano passado aumentou modesto 1,7%. O único componente da demanda que manteve o fôlego foi — surpresa! — o consumo do governo. Já o consumo das famílias e, mais importante, o investimento desaceleraram consideravelmente, em particular o segundo, que chegou a encolher 3,5% no trimestre final de 2025.

    “A crença de que gasto público é necessário para ‘fazer a economia girar’ está sendo posta à prova”

    Já quando se olha o crescimento pelo lado da produção, notamos que dois setores seguraram a onda: agricultura e mineração, ambos ligados principalmente à dinâmica internacional. Já os demais segmentos, mais dependentes da demanda interna, desaceleraram e, em alguns casos, como a indústria de transformação, encolheram. Sem a agricultura e a mineração, o crescimento do PIB teria sido ainda mais fraco: 1,6% contra 3,9% em 2024.

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    Por fim, o desempenho da produtividade, exceto no caso da agricultura, foi decepcionante. O produto por trabalhador nesse setor cresceu quase 14% no ano passado; no restante, encolheu 0,3%. Na prática, não crescemos porque produzimos as coisas de um jeito melhor, mas na força bruta, isto é, botando mais gente para trabalhar sem fazer com que cada um gere um pouco mais.

    A crença, várias vezes expressa pelo presidente e subscrita pelo ministro da Fazenda, de que o gasto público é necessário para “fazer a economia girar”, no jargão de nossos governantes, está sendo posta à prova. De 2022 a 2025, o consumo das famílias, estimulado por gasto público, e o consumo do governo equivaleram a 88% do aumento do PIB; o investimento, por outro lado, apenas 8%. À luz desses números, nossa baixa capacidade de crescimento não deveria ser surpreendente.

    Assim, quando a capacidade ociosa se esgota, como foi o caso, principalmente no que se refere ao mercado de trabalho, os problemas aparecem. A produção não consegue atender à demanda e os preços sobem. Não é por outro motivo que o BC teve que aumentar a Selic em 2024 e 2025, trazendo-a para seu atual patamar. Juros elevados são consequência, não causa, da baixa capacidade de crescimento no contexto de um governo gastador.

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    Em 2026, o PIB deve crescer ainda menos que em 2025, de 1,5% a 2,0%, dependendo mais uma vez do desempenho de agricultura e mineração, mesmo num cenário de queda gradual da taxa de juros. Não há dúvida: o atual modelo de crescimento, baseado no gasto público e no estímulo incessante ao consumo, bateu no muro. Passou da hora de mudar a música.

    Publicado em VEJA de 6 de março de 2026, edição nº 2985

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