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Alexandre Schwartsman

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Economista, ex-diretor do Banco Central

Em marcha lenta

Mesmo o parco crescimento resulta de forças à beira do esgotamento

Por Alexandre Schwartsman 9 jan 2026, 06h00 • Atualizado em 9 jan 2026, 11h26
  • De 2012 ao terceiro trimestre de 2025, o PIB per capita cresceu, ou melhor, se arrastou ao ritmo de 0,47% ao ano. Nesse passo, precisaríamos de cerca de 150 anos para dobrá-lo, algo como seis gerações. O contraste com o período de crescimento acelerado, do pós-guerra a 1980, não poderia ser maior: o produto per capita aumentou 3% ao ano, o que significava dobrar a aproximadamente cada 25 anos.

    Uma decomposição simples da evolução dessa variável nos últimos dezoito anos sugere motivos para preocupação com as próximas décadas. Quase 80% do crescimento no intervalo pode ser atribuído à demografia, em particular ao aumento da proporção de pessoas em idade de trabalho relativamente à população total, o bônus demográfico, que se estima ter acabado no fim da década passada.

    Além de mais gente disponível no mercado de trabalho, duas outras forças ajudaram a puxar para cima a renda per capita. Uma delas foi a queda do desemprego, ou, de forma mais precisa, o aumento da população ocupada como proporção da força de trabalho. Todavia, dado o atual patamar da ocupação — o mais elevado da série histórica — não parece possível contar com esse impulso durante os próximos anos, muito menos por décadas.

    “No passo dos últimos anos, o Brasil vai levar cerca de 150 anos para dobrar o produto per capita”

    Por fim, o aumento do produto por hora trabalhada corresponde a um terço do crescimento da renda no intervalo, algo como 0,16% ao ano. Diga-se, quase que integralmente compensado pela redução das horas trabalhadas por pessoa ocupada, -0,13% ao ano, e pela queda da força de trabalho relativamente à população em idade de trabalho, -0,04% ao ano.

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    Assim, sem poder contar com a demografia e/ou quedas adicionais da taxa de desemprego, deve ficar claro que o futuro do crescimento do país dependerá crucialmente do ritmo de expansão do produto por hora trabalhada (produtividade), ainda mais num contexto em que se propõe uma redução da jornada de trabalho. Para apenas manter o desempenho medíocre descrito acima, a velocidade de aumento da produtividade teria que triplicar nas décadas à frente.

    Temos alguma ideia do que poderia ajudar no processo. Aumento da integração ao comércio internacional, por exemplo, facilitando o acesso a máquinas e equipamentos mais avançados, assim como a bens intermediários (usados para fazer outros produtos) mais modernos.

    Outro elemento fundamental é a melhora do ambiente de negócios e da segurança jurídica, mais ou menos o oposto do que temos observado no Brasil. Na mesma linha, o abandono da política de “campeões nacionais”, que tem levado apenas à busca de subsídios por parte de empresários mais bem conectados à máquina estatal. Não menos necessária é a eliminação dos diferentes incentivos (regulações tributárias e trabalhistas principalmente) hoje existentes para que empresas permaneçam relativamente pequenas, abrindo mão de ganhos de escala em nome de menor visibilidade face aos controles do governo.

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    Como de certa forma adiantado acima, esse conjunto de iniciativas não faz parte do arcabouço de política econômica do país atualmente e dificilmente fará em caso de continuidade da atual administração. Quando até para repetir a mediocridade seria preciso triplicar a produtividade, fica claro que o Brasil não carece de diagnósticos. Carece de escolhas; e insiste nas erradas.

    Publicado em VEJA de 9 de janeiro de 2026, edição nº 2977

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