Ibovespa tem recuperação modesta à espera da decisão do Fed
Investidores tentam digerir a forte queda de 13,88% registrada na sessão anterior após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O Ibovespa abre em leve alta nesta terça-feira, 27, enquanto investidores tentam digerir a forte queda de 13,88% registrada na sessão anterior, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a agenda doméstica esvaziada e o mercado global à espera da decisão de juros do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, prevista para quarta-feira, 28, os investidores adotam uma postura cautelosa.
Nesse cenário, o principal índice da Bolsa brasileira ensaia uma recuperação modesta. Por volta das 10h59, o Ibovespa avançava 0,01%, aos 176.500,04 pontos. O dólar comercial recuava 1,53%, cotado a 5,32 reais na venda.
Na segunda-feira, o Ibovespa derreteu 13,88%, aos 176 mil pontos, após a reeleição de Lula. Para Felipe Sant’Anna, analista e especialista em mercado financeiro do Grupo Axia Investing, a agenda esvaziada após um dia de estresse leva os investidores a rever suas posições.
O especialista, porém, avalia que a alta é modesta em comparação com a queda da véspera porque o risco fiscal continua no radar do mercado. “Hoje temos o famoso caçador de pechinchas, que aproveita a queda de ontem para comprar as ações que estão baratas, mas o risco fiscal continua”, diz Sant’Anna.
Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, afirma que o mercado segue à espera de um nome para comandar o Ministério da Fazenda. “Há a expectativa do anúncio do nome de Geraldo Alckmin ou de Rafael Fonteles, que são dois nomes considerados como fiscalmente responsáveis”, diz Lopes.
Além disso, os investidores aguardam a decisão de juros do Federal Reserve. Dados da plataforma FedWatch, do CME Group, mostram que 90,6% dos participantes do mercado americano projetam a manutenção das taxas nesta reunião.
Com isso, a taxa básica americana, conhecida como Fed Funds, tende a permanecer na faixa de 3,75% a 4% ao ano. A perspectiva dos analistas é de um aumento de 0,25 ponto percentual apenas na reunião de 9 de dezembro, o que levaria a taxa ao intervalo de 4% a 4,25% ao ano até o fim de 2026.
Por fim, Enrico Cozzolino, estrategista e CEO da Zermatt Partners, avalia que os investidores devem continuar cautelosos. A perspectiva de juros elevados nos Estados Unidos reforça a necessidade de ajuste fiscal no Brasil para reduzir o risco-país. Isso porque, com a alta dos juros americanos, os títulos dos Estados Unidos — considerados ativos de referência de baixo risco — tendem a oferecer rendimentos maiores. Para o Brasil manter sua atratividade, portanto, precisaria reduzir o risco fiscal por meio de cortes de gastos ou elevar os juros para compensar o risco adicional percebido pelos investidores.
“Sem uma sinalização crível do governo nas próximas semanas, a tendência é de volatilidade alta e prêmio de risco elevado. Um fator a favor é que boa parte do pessimismo já foi precificada em um único pregão, o que abre espaço para alívios pontuais”, conclui Cozzolino.






