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O ‘day after’ da bolsa após a divulgações de mensagens entre Flávio e Vorcaro

Recuperação ocorre após repercussão envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro, enquanto Banco do Brasil fraco e risco fiscal mantêm cautela

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 Maio 2026, 11h49 | Atualizado em 14 Maio 2026, 12h23

O Ibovespa iniciou o pregão desta quinta-feira, 14, em recuperação após a forte queda registrada na véspera, sustentado por um ambiente internacional mais favorável ao risco, impulsionado principalmente pelo novo rali das ações de tecnologia nos Estados Unidos e por sinais de maior otimismo nas negociações comerciais entre Washington e Pequim.

Por volta das 11h50, o principal índice da bolsa brasileira subia cerca de 0,94%, aos 178,7 mil pontos, enquanto o dólar comercial recuava 0,55%, cotado a 4,97 reais, devolvendo parte da forte deterioração observada na véspera, quando o mercado doméstico foi pressionado pela repercussão da ligação entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, do Banco Master. O episódio ampliou incertezas eleitorais e fiscais, contribuiu para o tombo de 1,80% do Ibovespa na quarta-feira e levou a moeda americana a voltar a superar os 5 reais, em um movimento de forte aversão a risco local.

Apesar da recuperação parcial, o mercado doméstico segue sensível à volatilidade política interna, ao cenário eleitoral de 2026 e às incertezas fiscais. Ainda assim, investidores encontram suporte em um exterior mais construtivo, com Wall Street renovando máximas impulsionadas pelo apetite global por inteligência artificial.

Nos Estados Unidos, os futuros dos principais índices avançaram com força, especialmente após a Cisco disparar cerca de 15% com projeções robustas para sua atuação em inteligência artificial, além do IPO bilionário da fabricante de chips Cerebras, que levantou US$ 5,55 bilhões, reforçando o entusiasmo em torno do setor de semicondutores.

Além disso,  o Banco do Brasil esteve entre os principais focos corporativos após divulgar lucro líquido ajustado de 3,4 bilhões de reais no primeiro trimestre, queda de 53,5% na comparação anual e resultado 17% abaixo das projeções do mercado. A deterioração foi puxada pelo avanço da inadimplência, que subiu para 5,05% na carteira de crédito, e pelo salto de 85,8% nas provisões para devedores duvidosos, que alcançaram 18,9 bilhões de reais. O resultado pressionou a percepção sobre a qualidade da carteira, especialmente diante da fragilidade do agronegócio, e reduziu a rentabilidade medida pelo ROE para 7,3%.

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“Quando juros, câmbio e cenário externo seguem voláteis, investidores passam a exigir mais governança, eficiência e capacidade de execução.” “A recuperação da bolsa mostra que há apetite por ativos de risco, mas o mercado continua premiando negócios consistentes e preparados para crescer com disciplina.” afirma João Kepler, CEO da Equity Group.

O cenário internacional segue no centro das atenções. O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na China, acompanhado por executivos de grandes empresas americanas, trouxe sinais positivos para o mercado ao reacender expectativas de avanços em acordos comerciais e redução de tensões tarifárias entre as duas maiores economias do planeta.

E investidores acompanham a possível confirmação de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve, movimento que pode alterar expectativas futuras para juros americanos, em um contexto ainda marcado por inflação resistente e cautela monetária.

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“Para fechar essa semana, o mercado vai ficar muito de olho no que pode sair de eventuais negociações entre Estados Unidos e China, além do conflito no Oriente Médio e do cenário doméstico brasileiro”, afirma Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue.

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