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Governo pode adotar medida polêmica para conter desabastecimento têxtil

Preços dispararam e alguns fornecedores nem conseguem mais dar previsão de entrega

Por Machado da Costa Atualizado em 1 out 2020, 16h34 - Publicado em 1 out 2020, 16h30

Tabelas de preços entregues a VEJA por uma grande rede de departamentos mostram como os preços dispararam e, em alguns casos, não há nem previsão de entrega. Isso se estende de brinquedos a eletrodomésticos. Porém, a pior situação é a dos varejistas de vestuário. Os preços de artigos têxteis estão até 30% acima dos valores de agosto deste ano. Alguns fornecedores nem estipulam mais preços, pois não há previsão de entrega. Para quem fabrica, o fio de algodão disparou quase 50% de um mês para o outro.

VEJA apurou junto a fontes da equipe econômica que algumas das medidas antidumping do setor poderão ser revistas. Uma das que está pronta para ser revogada em caráter temporário é das meias. Lojistas pedem que todos os artigos de algodão e brim (jeans) também tenham as medidas antidumping suspensas. Essas medidas foram conquistadas depois de anos de brigas do Brasil na Organização Mundial do Comércio para evitar a concorrência de países como Estados Unidos e China. Agora, em meio à crise, faltam produtos. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil tenta impedir que as medidas sejam derrubadas, mesmo que em caráter provisório.

O dólar alterou completamente o jogo do mercado de algodão no Brasil. Dez anos atrás, quando conseguiu a vitória na OMC, o país vivia uma realidade cambial completamente distinta da atual. À época, o dólar rondava o nível de 2 reais, e por longos períodos ficou abaixo disso. Agora, com a cotação acima de 5 reais, não há setor que sustente a medida protecionista.

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