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Governo adota uma arriscada estratégia para aprovar o Renda Cidadã

"Quando chega na última hora, eles sempre decidem", avaliou um assessor de Guedes

Por Machado da Costa 6 out 2020, 15h51

O governo bateu o martelo e a decisão sobre como será o financiamento do Renda Cidadã ficará para após as eleições. Ou seja, o governo terá três semanas — entre 30 de novembro e 17 de dezembro — para convencer não só o Congresso, mas também o mercado, de que o programa será robusto e inofensivo para as contas públicas. A dificuldade em encontrar algo nesse sentido é o que fez o presidente Jair Bolsonaro jogar para daqui dois meses essa definição. Segundo fontes próximas do ministro da Economia, Paulo Guedes, o governo pensa em forçar a barra para formar um consenso entre os parlamentares. “Quando chega na última hora, eles sempre decidem”, avaliou um assessor de Guedes.

Enquanto isso, alguns ministros têm pressionado o presidente sobre uma possível incoerência na decisão. Segundo eles, não há saída fácil para transformar o auxílio emergencial — importantíssimo para salvaguardar a economia em meio à pandemia de Covid-19 — num programa permanente, com baixo custo. As alternativas seriam: 1) estourar o teto de gastos, com um valor maior para o Renda Cidadã; 2) estender o orçamento de guerra, assim como o auxílio emergencial, até que a economia esteja plenamente recuperada; 3) aumentar impostos e desistir de vez do teto de gastos.

A depender do ponto de vista econômico de cada um, todos os planos são válidos, com maior ou menor impacto sobre as contas públicas. Deixar para resolver a questão para o momento derradeiro pode ser uma temeridade, dada a tensão que o tema gera em todos os que estão preocupados com a saúde fiscal do Brasil.

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