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Indústria dos games aprende o português
De olho num mercado em expansão, gigantes do setor lançam produtos totalmente vertidos para a língua portuguesa
Games em português: estratégia para atingir diferentes gerações e reforçar os laços com o público aficionado (Workbook stock/GettyImages)
Gigantes da indústria dos games estão decididos a falar a língua portuguesa. A Nintendo lança este semestre seu primeiro aparelho com menus e funcionalidades em português do Brasil, o portátil 3DS, e promete verter também a página de sua loja online, a Nintendo eShop. A Sony apresentou em fevereiro seu primeiro jogo para PS3 totalmente traduzido, o Killzone 3, e lança ainda este ano um segundo título de peso, o inFamous 2. E a Microsoft, que já experimentara a prática de verter títulos importantes em 2007, reforça a estratégia com o lançamento em setembro de Gears of War 3 todo legendado.
Galeria de fotos: confira as apostas da indústria de games para 2011
Videogame deixou há muito de ser brinquedo de crianças e adolescentes. Em muitos lares, o eletrônico faz as vezes de plataforma multimídia para a reprodução de filmes e músicas. Com isso, a indústria passou a atingir perfis com pouca familiaridade - e eventualmente nenhuma paciência - com o jargão dos games, todo em inglês. É esta plateia que os gigantes do ramo querem mimar. "O videogame saiu do quarto e foi para a sala", resume Guilherme Camargo, gerente de marketing para o Xbox 360 na Microsoft Brasil. "No formato de uma central de entretenimento, ele atinge outro tipo de público: a mãe, o pai, os avós etc."
A tradução de games também é vista como estratégia para aumentar a adesão da classe B e atingir a emergente classe C. No Brasil, os consoles de videogame ainda são artigo de luxo: estão presente em 90% dos lares na classe A, mas em apenas 60% das casas na B e 24% na C, conforme pesquisa NC Games, a maior distribuidora de jogos da América Latina.
Tela em inglês do jogo Halo: Reach, da Microsoft. Versão em português evita a a tradução apressada de 'party' por 'festa'. No contexto do jogo, o termo se traduz por 'grupo'.
Há, é claro, a barreira econômica. Consoles são vendidos no Brasil a um preço até quatro vezes acima do praticado nos Estados Unidos, o que as empresas atribuem à pesada carga tributária. O americano paga 284.99 dólares (cerca de 460 reais) pelo PlayStation 3 160 GB, e o brasileiro, 1.999 reais. O Kinect sai nos EUA por 150 dólares (241 reais) e aqui por 600 reais. O Xbox 360 250GB está à venda lá fora por 299.99 dólares (483 reais), e aqui, 1.899 reais (com direito a dois jogos).
Experiência plena - Além de conquistar um público maior, falar a língua local é também uma maneira de reforçar os laços com os aficionados. É certo que nenhum gamer tropeça em termos como 'game over', 'score' ou 'fatality'. Mas só a fluência no idioma permite vivenciar plenamente games com roteiros cada vez mais elaborados e fases que podem tomar dias e a até semanas do jogador.
“Mesmo quem tem um bom inglês acaba deixando algo escapar", diz Anderson Gracias, gerente da Divisão Playstation na Sony Brasil, cujas operações começaram em 2010. "O vocabulário de um jogo de guerra, por exemplo, é muito específico.” Gracias conta que o retorno obtido por KillZone 3, recém-lançado em português, é animador. “Algumas pessoas que já tinham jogado outros games da franquia em inglês me falaram que só agora conseguiram entender a história”.
Mais vendidos - "Localização" é o jargão da indústria para a estratégia de adaptar um produto para o idioma ou a cultura local. Requer investimento e exige confiança no mercado. Bertrand Chaverot, diretor da produtora francesa Ubisoft, presente no Brasil desde 2008, explica que a tática exige escala. “Um game traduzido vende 30% a mais do que um jogo em inglês”, calcula. "Para ser adaptado para outro idioma, precisa vender pelo menos 20.000 ou 30.000 unidades."
A empresa filipina Level Up!, que distribui jogos online, faz estimativas bem mais otimistas. “A adaptação de um jogo aumenta em até dez vezes o nosso número de assinantes”, diz Júlio Vieitez, diretor da multinacional no Brasil. Em março deste ano a empresa lançou uma versão do game Allods Online com as vozes do músico João Gordo, do comediante Leandro Hassum e da apresentadora Pietra Príncipe.
A Microsoft foi a primeira no Brasil a sentir no bolso a boa recepção de um jogo vertido para o português. Em 2007, a multinacional lançou para Xbox 360 o game Halo 3, totalmente adaptado. O sucesso fez com que os demais jogos da série (ODST e Reach) também ganhassem traduções, que também se tornaram os títulos mais vendidos da companhia no país. Foi com base nesses resultados que a Microsoft decidiu verter mais três jogos, o Viva Piñata, o Viva Piñata Party Animals e o Joy Ride, para Kinect, o carro-chefe da empresa, lançado em novembro de 2010.
Mercado – A indústria de games segue no Brasil o caminho já percorrido com sucesso em outros países na América Latina (México), Europa (Alemanha e Suécia) e Ásia (Coreia do Sul e China). Em todas essas regiões, as versões de games contribuíram para o crescimento do mercado local. Para efeito de comparação: o México, com uma população quase duas vezes menor, tem hoje um mercado de games três vezes maior que o brasileiro. Diz Claudio Macedo, presidente da NC Games: "Precisamos de volume para fazer a indústria local crescer, e um dos caminhos é falar o português".







Comentários
Valter
Gostei muito da matéria e espero que a maioria dos jogos a aprtir de agora sejam traduzidos pois eu mesmo seria um "comprador nato" do gênero....VALEU!!!
15.04.2011
Eduardo
Matéria sensacional, me espantei até quando minha mãe me mostrou, já que sou tradutor e comecei a localizar jogos há pouco tempo. Uma matéria dessas é pra animar qualquer um que trabalha na área, já que é sinal de que mais e mais jogos virão para serem traduzidos. Grandes esperanças!
05.04.2011
Alexandre
Se a carga tributária fosse minimizada sobre muitos produtos, a pirataria teria bem menos adeptos.
05.04.2011
Evesson
Eu sou um dos brasileiros que aprenderam inglês jogando videogames. Na verdade, me orgulho muito disso, pois os jogos sempre atiçaram minha curiosidade, hehe! Acho importante essas ações das grandes empresas que ajudam a tirar o já obsolteo preconceito contra os gamers (não, não somos nerds sem vida social, muito pelo contrá(..)
04.04.2011
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Wandrianne
Trabalho com localização desde 1997 e finalmente estou vendo alguma notícia sobre este mercado tão importante para os não fluentes em inglês. Só faltou na matéria mencionar as empresas no Brasil que ´localizam´ os games. Não conheço nenhuma :(
04.04.2011
Carlos Eduardo
Espero que logo essas barreiras tributárias caiam, o setor de videogames no Brasil cresceria muito se isso acontecesse...
04.04.2011
Henrique
O Brasil é uma grande mercado de jogos. Principalmente é um país apaixonado por FUTEBOL. É impressionante como grandes estudios como a EA - Eletronica Arts não traz conteúdo e narrações para PT-BR seus jogos como o FIFA. Tá na hora!
04.04.2011
Torcedor
A respeito desse assunto o Código de Defesa do Consumidor prevê: Art. 31 - A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas,claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidade, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre(..)
03.04.2011
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Aarão
Só queria lembrar que, no ramo da tradução, o termo "verter" geralmente se aplica à tradução do português a outra língua. Um jogo "vertido" seria um jogo criado em PTBR e transposto a outra língua, como inglês ou espanhol.
03.04.2011
C. Emanuel Laguna Jr
Localizar os jogos é reconhecer que nosso mercado vai além do cinza e da pirataria: só faltaria a colaboração do governo, ao diminuir os horríveis tributos e impostos que tornam os videogames inacessíveis à maioria da população. O povo quer entretenimento e entretenimento não se resume somente à TV aberta.
03.04.2011
Gabriel
O idioma ajuda, mas o mercado de games não vai crescer no país enquanto os impostos sobre eles continuarem abusivos. Não é por acaso que alguém comentou mais cedo que tem que recorrer à pirataria, a tarifa atual favorece a ilegalidade e todo mundo sai perdendo: o consumidor; a indústria; o próprio governo que arrecada menos;(..)
03.04.2011
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Sandra
Já não era sem tempo!!!É um absurdo um jogo ser vendido no Brasil e não ter o nosso idioma!! Quando compramos um produto importado, ele não é obrigado a ter manual em português??? Então, porque isso não acontecia com os jogos??? Até que enfim...
02.04.2011
danillo
Graças a deus um pouco de reconhecimento! mas no Brasil o que derruba muito esse número e a Pirataria. Se ela contace nós iamos ser um dos mercado mais impotante.Mas ela e a única assesivel pelo menos para mim.
02.04.2011
Carolina Monper
Fiquei muitro feliz com essa matéria. Sou uma das pessoas que sempre gostei de video game, mas que nunca tinha oportunidades pra jogar. Agora que estou jogando mais e gostando mais, o idioma é uma dificuldade as vezes. Tomara que essa adaptação nos jogos, aconteça rápido.
02.04.2011