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Em operação braço da Lava Jato, PF investiga fraudes em obras de ferrovia

São alvos de mandados ex-diretores da Valec e empreiteiras investigadas no petrolão, como Odebrecht, OAS, Constran e OAS; PF cumpre mandados em 6 Estados e no DF

- Atualizado em

Ferrovia Norte-Sul
Ferrovia Norte-Sul (Edsom Leite/Ministério dos Transportes/VEJA)

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira a Operação "O Recebedor" que investiga um suposto esquema de propina e fraudes na construção das ferrovias Norte-Sul e Integração Leste-Oeste com base em provas colhidas na Operação Lava Jato. Ao todo, a PF cumpre sete mandados de condução coercitiva e 44 de busca e apreensão em seis Estados - Paraná, Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás - e no Distrito Federal.

A operação, que é conduzida pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal em Goiás, mira em contratos firmados entre a estatal Valec, estatal ferroviária ligada ao Ministério do Transporte, e empreiteiras investigadas no petrolão, como Odebrecht, Queiroz Galvão, Constran, OAS, Mendes Júnior, Camargo Corrêa, entre outras. O ex-presidente da Valec José Francisco das Neves, o Juquinha, é um dos alvos de condução coercitiva.

A operação foi deflagrada a partir de um acordo de leniência firmado com a empreiteira Camargo Corrêa. As investigações apontam que o esquema pode ter gerado um rombo de 631,5 milhões de reais aos cofres públicos, considerando-se apenas os trechos construídos no Estado de Goiás. No acordo, a Camargo Corrêa revelou ter pago, sozinha, mais de 800.000 reais em propina para Juquinha.

Segundo a PF, as empreiteiras faziam pagamentos regulares, por meio de contratos simulados, a um escritório de advocacia e a mais duas empresas indicadas por Juquinha. As empresas funcionavam como fachada para maquiar a origem ilícita do dinheiro.

O nome da operação faz referência aos argumentos da defesa deJuquinha, quando ele foi preso na Operação "Trem Pagador", em 2012. Nela, o advogado do investigado alegou que "se o trem era pagador, o alvo não fora o recebedor".

O ex-presidente da Valec foi demitido do cargo pela presidente Dilma Rousseff, em 2011, por suposto envolvimento em esquemas de corrupção. Em 2012, foi preso no "Trem Pagador" por enriquecimento ilícito de 10.000% em pouco mais de uma década. Na época, reportagem de VEJA revelou que ele comprava fazendas que, anos depois, se valorizavam por causa da chegada da estrada de ferro.

Esta não é a primeira vez que provas levantadas na Lava Jato originam uma nova operação. Em dezembro do ano passado, a PF deflagrou a Operação Cratons contra a extração e comercialização ilegal de diamantes em terras indígenas, no interior de Rondônia. Um dos alvos em comum era o doleiro Habib Chater, que era ligado a Alberto Youssef e era o dono do posto de gasolina que supostamente lavava o dinheiro da Lava Jato.

Confira os alvos de mandados da Operação O Recebedor:

Paraná: Cr Almeida S/A Engenharia de Obras; Ivai - Engenharia de Obras S/A

Maranhão: Agrossera - Agropecuária e Industrial Serra Grande Ltda

Rio de Janeiro: Construtora Norberto Odebrecht S/A

Minas Gerais: Servix Engenharia S/A - (Lagoa Santa/MG); Spa Engenharia Ind. E Com. Ltda;

Egesa Eng. S/A; Construtora Barbosa Mello S/A; Consórcio Aterpa M. Martins - Ebate;

Torc - Terraplanagem Obras Rodoviárias e Const. Ltda; Hugo De Magalhães;

João Bosco Santos Dutra; Bruno Von Bentzeen Rodrigues; Eduardo Martins;

Daniel Nóbrega Lima De Oliveira

São Paulo: Construtora Queiroz Galvão S/A; Mendes Júnior Trading E Eng. S/A;

Galvão Engenharia; Constran S/A - Construções E Comércio; Construtora OAS S/A;

Serveng Civilsan S/A Empresas Associadas de Engenharia; Cavan Pré-Moldado S/A;

Tiisa - Infraestrutura E Investimentos S/A; Braemp Brasil Empreendimentos E Participações Ltda;

Pedro Augusto Carneiro Leão Neto

Distrito Federal: Ulisses Assad; Rony Jose Silva Moura; Luiz Sérgio Nogueira;

Aloysio Braga Cardoso da Silva; Leandro Barata Diniz; Alfredo Moreira Filho; Laize de Freitas

Goiás: Elccom Engenharia Eireli; Evolução Tecnologia E Planejamento Ltda; Heli Dourado Advogados Associados S.S;

Consórcio Ferrosul - (Santa Helena/GO); Heli Lopes Dourado; José Francisco das Neves; Marivone Ferreira das Neves;

Jader Ferreira das Neves; Rodrigo Ferreira Lopes Silva; Rafael Mundim Rezende; Josias Gonzaga Cardoso;

Juarez José Lopes Macedo.

(Da redação)

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