Roberto Civita: “Convivo com a ira de governos há mais de 40 anos, desde antes do regime militar”
Civita durante entrevista: ” No momento em que você toma decisões editoriais, tem que pensar como editor, como jornalista” “Eu estou convivendo com iras de governo há mais de 40 anos, desde antes do governo militar. Na verdade, desde 1965 estamos levando bronca pelo que publicamos. Estou acostumado. Não se trata apenas do valor econômico. […]
Civita durante entrevista: ” No momento em que você toma decisões editoriais, tem que pensar como editor, como jornalista”
“Para ser um editor responsável, é preciso ter a capacidade de separar sua visão como acionista e a sua visão como jornalista, ou editor. Tem que conseguir separá-las. No momento em que você toma decisões editoriais, tem que pensar como editor, como jornalista. Quando você pensa como acionista, pode dizer: ’Ih! aquele editor está nos atrapalhando nesse momento’. Mas paciência. Eu convivo com dois chapéus: o chapéu do acionista e o chapéu do jornalista editor. Aprendi a separar as duas funções. Se não conseguisse separá-las, não conseguiríamos fazer o que nós fazemos.”
Acima, leitor, estão dois trechos da entrevista de Roberto Civita, editor de Veja e presidente da Abril, ao PSC, publicação interna da editora. É feio elogiar o “patrão”? Se ele estiver certo, é uma obrigação que se deve a qualquer um que tenha escolhido o bom caminho. Ademais, não sou empregado da casa: tenho com ela um contrato. A entrevista teria vindo parar aqui ainda que meu blog não estivesse hospedado no site da Veja e que eu não escrevesse para a revista. Quem me acompanha há tempos sabe que já era assim quando eu tinha a minha própria revista.
“Ah, você foi à falência”, tentam insultar os petistas. Não fui. Parei antes. O prazer não estava compensando a pena. O caso poderia ser exemplar de como se trata no país uma pequena publicação que se nega a ajoelhar no milho. Como ajoelhar ou não era uma decisão que cabia aos que tínhamos o comando de Primeira Leitura, então não responsabilizamos ninguém. Existimos por vontade própria e fechamos idem. Mas já me desviei.
A entrevista de Roberto Civita é uma profissão de fé na democracia e na liberdade de imprensa. Quando ele faz a distinção entre o empresário e o jornalista, toca no centro nervoso dessa atividade. Muita gente no Brasil gostaria que ele confundisse as duas coisas. Certamente seria mais fácil. Clique qui para ler íntegra







