Tesoureiro do PT é apontado pivô de esquema que desviou dinheiro para a campanha de Lula em 2002, encheu os cofres de empresas de dirigentes petistas e lesou milhares de associados da Bancoop. Confira a escalada de denúncias e seu impacto no meio político
VEJA revela com exclusividade que após três anos de investigações o Ministério Público de São Paulo pôs enfim as mãos na caixa-preta do esquema Bancoop e descobriu que dirigentes da cooperativa lesaram milhares de associados para montar uma operação que abasteceu a campanha de Lula em 2002 e encheu os cofres de empresas pertencentes a petistas. João Vaccari Neto, ex-presidente da Bancoop e atual tesoureiro do PT, é apontado o pivô do esquema
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Em resposta às acusações, petistas voltam-se contra o promotor José Carlos Blat, à frente das investigações. "No mínimo, levanta a suspeita de que ele age a serviço de setores do Ministério Público alinhados ao Serra", declara o presidente do partido, Ricardo Berzoini (foto), que é também fundador da Bancoop. Para o advogado da cooperativa, Pedro Dallari, a divulgação do caso obedece a certo "interesse eleitoral"
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Tucanos reúnem assinaturas em número suficiente para a abertura de uma CPI e dão como certa a convocação do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto (foto). O promotor do caso, José Carlos Blat, responde às acusações da cúpula petista: "Essas insinuações são as de sempre. Quando você investiga alguém do partido A você pertence ou tem ligações com o partido B, e vice-versa."
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Após análise de extratos bancários de 2001 a 2008, o promotor José Carlos Blat (foto) estima que o rombo do esquema Bancoop pode passar dos 100 milhões de reais. É criada na Assembleia paulista a CPI da Bancoop. Os partidos têm agora 15 dias para indicar quem serão seus membros. Em meio às revelações, setores do PT cogitam contratar um "executivo" para cuidar das finanças da campanha de Dilma Rousseff e blindá-la do escândalo envolvendo o tesoureiro do partido.
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Reportagem de VEJA.com revela que a Justiça já proferiu mais de 500 decisões contrárias à Bancoop. Em uma delas, o juiz afirma que a cooperativa armou uma "arapuca" para os cooperados e que estes não podem ser penalizados por uma "imposição acéfala que marcou durante longos anos a administração". Em entrevista a O Estado de S.Paulo, o pivô do escândalo, João Vaccari Neto, nega o desvio e o rombo financeiro, classifica o caso de "ação eleitoral" e diz que houve apenas "desequilíbrio financeiro"
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Documentos obtidos por VEJA.com mostram que a Bancoop impediu a participação de associados em assembleias da cooperativa, contrariando a argumentação do ex-presidente da entidade, João Vaccari Neto, de que todas as decisões foram tomadas pelos próprios cooperados. A justiça de São Paulo autoriza devassa do fundo Fdic-Bancoop, mas indefere pedido de bloqueio das contas da Bancoop e pede mais informações para a quebra do sigilo bancário e fiscal de João Vaccari Neto.
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A convite do senador Álvaro Dias (PSDB), uma comissão de cooperados da Bancoop será recebida no Senado para participar de uma audiência pública. Pela proposta, associados relatarão suas histórias à comissão de Direitos Humanos, presidida pelo senador Cristovam Buarque (PDT).
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Reportagem de VEJA aponta a conexão entre os escândalos Bancoop e mensalão. A revelação está em uma série de depoimentos prestados por Lúcio Bolonha Funaro, considerado um dos maiores especialistas em fraudes financeiras, à Procuradoria-Geral da República. Em troca de perdão judicial, o corretor entregou nomes, valores, datas e documentos bancários e apresentou o nome do que pode vir a ser o 41º réu do processo que apura o mensalão: o tesoureiro do PT João Vaccari Neto, também investigado por conta dos desvios da Bancoop.
LEIA MAISVEJA.com revela mais um indício do uso da Bancoop em campanhas do PT. O comerciante Marcelo Luis Straface, de São Paulo, declarou ao Ministério Público que uma secretária de Luís Eduardo Saeger Malheiro o indagou, em 2002, "se conhecia alguma gráfica que pudesse confeccionar adesivos para a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva". Straface disse ter apresentado um empresário "amigo" à Bancoop. O serviço teria sido pago em dinheiro, retirado do caixa da Bancoop.
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Na série de depoimentos que prestou ao Ministério Público Federal em 2005, o corretor Lúcio Bolonha Funaro acusa o ex-ministro José Dirceu de se beneficiar pessoalmente dos negócios fechados por fundos de pensão sob controle do PT. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Funaro disse ao MP que tanto Dirceu quanto o PT teriam recebido "por fora" comissões de 5,5 milhões de reais
LEIA MAISReportagem de VEJA.com revela o teor do depoimento prestado ao Ministério Público pelo engenheiro Ricardo Luiz do Carmo, responsável pelas obras da Bancoop. Ele afirmou ter recebido instruções para recolher de empreiteiros contribuições financeiras para campanhas eleitorais do PT em 2002. Disse também que deu aval a notas fiscais frias e que os empreiteiros se dirigiam até a Caixa Econômica Federal, realizavam saques e repassavam os valores em dinheiro para Hélio Malheiro, então presidente da entidade
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